Opinião

Pais, alunos e professores estão convidados a compor este espaço com suas ideias e opiniões

28/04/2017  recomendo - Por josè

Muito boa estou a 5 anos na escola melhor escola do mundo:!!!!!

02/08/2016  Recomendo a escola - Por Gabriela Seguel
Recomendo totalmente esta escola. Mudamos do Chile para o Brasil, moramos em Joinville durante seis anos. Meus filhos foram muito bem acohidos, fizeram grandes amigos e foram felices nesta escola. Gostei muito do incentivo para a leitura, as atividades como a simulacao da ONU, a Noite cultural, etc. Estou muito grata com a escola Machado de Assis.
11/05/2016  DIA DA ENFERMEIRA - Por NEUSA CAGNETI
Deus coloca anjos da guarda na vida das pessoas, e você Irene é o anjo da guarda de nossos filhos e alunos. A cada dor, machucado ou tombo passa-lhes remedinhos de amor e confiança. Obrigada e Parabéns pelo seu dia!
16/12/2015  Agradecimento - Por Sunny Menon
Obrigado professores pela persistência, pela vontade de querer fazer de nosso filhos melhores, pela transmissão do conhecimento,pela dedicação,pelo desempenho, pelo profissionalismo,pelo diferente,pela mudança,pelo puxões de orelha, pelo divertimento,pela educação,pelo respeito,pelo moderno, pela competência,pela capacidade, pela as tentativas incansáveis de faze-los refletir, por faze-los ouvir e entender estrelas, Na verdade OBRIGADA por tudo, por terem sido realmente PROFESSORES. OBRIGADA por tirar em as pedras do caminho, e continuar a retirá-las, fazendo com que meu filho criasse , recriasse, começasse e recomeçasse , seus ensinamentos ficarão para sempre guardados, considero-os MESTRES. MESTRE do saber, da busca incessantemente pelo conhecimento, Meu filho nunca se esquecera de suas parábolas,de seus pensamentos, de suas manifestações diante do que pensavam ser imutável, de seu prazer pela mudança, de seus poemas em LITERATURA de Alexandre O Grande em HISTÓRIA do Helenismo em SOCIOLOGIA de logaritimos em MATEMÁTICA de sujeitos em LINGUA PORTUGUESA de células em BIOLOGIA de Diógenes em FILOSOFIA de hidrostática em FÍSICA de tabela periódica em QUÍMICA dos artpiculos em ESPANHOL dos povos e nações em GEOGRAFIA do to be em INGLES da noite cultural em ARTES e doa jogos em EDUCAÇÃO FÍSICA Pois além de ensinarem meu filho voces fazem parte do caminho tão difícil de percorrer que é a VIDA .... MUITO OBRIGADA
10/09/2015  Cardápio Bokitos - Por Viviani Hoepers Cardoso Kormann
Olá! Gostaria de agradecer a direção da escola por se preocupar com a continuação do lanche comunitário, viabilizando junto a Bokitos um cardápio com baixo custo, mas de valor nutritivo muito bom! Obrigada!
12/08/2015  Noite cultural, incrível!! - Por Ana Júlia
Foi uma noite espetacular!! Fiquei abismada com a capacidade dos alunos. Foi um show incrível. Chorei em algumas horas, ri em outras. Se eu pudesse voltar no tempo eu voltaria e tiraria da memória a Noite Cultural só para poder sentir tudo de novo como se fosse a primeira vez. As turmas dos primeiros e segundos anos não foram nada menos que PERFEITAS. Mas deixo em destaque a turma do 9 Ano A, que deveria concorrer com o ensino médio com tamanha maturidade, naturalidade e excelência. Não vejo a hora do próximo ano
06/08/2015  Noite Cultural - Por Monica

Quero parabenizar a todos os envolvidos neste Grandioso Espetáculo que foi a noite cultural do Ensino Médio. Todas as turmas foram encantadoras. A arte, num contexto geral (dança, música, arte cènica, literatura), foi muito bem representada pelas turmas dos 1ºs e 2º anos. Entretenimento e aprendizagem, uma soma que contribui muito para o desenvolvimento integral do aluno. Parabéns a todos, escola, professores e alunos! No entanto, deixo um elogio especial para o 2º B, com a turma do Sítio do Pica Pau Amarelo, afinal, é a turma do meu filho!!!! Parabéns SEGUNDÃOOOO!!!!!!

09/07/2015  Simulação 70ª Assembleia da ONU - Por Albertina

Parabéns aos professores envolvidos no projeto. A idéia foi ótima e trouxe grande crescimento para o alunos. Foi lindo!

26/06/2014  Reunião - Por Professor Luciano.
Parabéns pela iniciativa e preocupação com o desempenho dos alunos ,prova que ainda temos pessoas comprometidas com o desenvolvimento humano e em formar verdadeiros pensantes . Grata pela atenção. Rosana Zimermann Taetz .
11/06/2014  Escola da Inteligência! - Por Lígia Maia Siqueira- Mãe do Mateus e Felipe
Também conheci o projeto da Escola da Inteligência por Augusto Cury, achei muito interessante! Uma vez por semana a escola aplica seus conceitos tão importantes para evoluir como seres humanos e para conviver em sociedade! Um abraço a todos do CEMA!
11/06/2014  Amei o Espaço Opinião! - Por Lígia Maia Siqueira
A idéia de compartilhar este espaço foi excelente! Parabéns CEMA!
26/05/2014  professores - Por amanda
Gostaria de elogiar muito,os professores do ensino médio que são grandes professores.
26/05/2014  professores - Por amanda
Gostaria de elogiar muito,os professores do ensino médio que são grandes professores.
06/12/2013  Formatura 5 ano - Por Ivana Maria Pereira
Gostaria de parabenizar a escola pela escolha do tema para encerramento das atividades dos quintos anos, ocorrida no dia 04/12. Gentileza é um valor e uma atitude que, com certeza, fará adultos melhores no futuro. O trabalho do PROERD também surtiu um efeito muito positivo no decorrer do ano, pois nossas crianças despertaram para a a gravidade do uso de drogas e para a auto responsabilização de suas decisões. Parabéns!
07/11/2013  AGRADECIMENTO - Por VALKYRIA COSTA-MAE DA REBECA(I PERIODO C)
PATY, OBRIGADA POR ACOMPANHAR MINHA FILHA DURANTE ESTE ANO,PUDEMOS OBSERVAR UM CRESCIMENTO MUITO GRANDE NA SUA FORMA DE SER E PENSAR!
22/05/2013  Parabens pela iniciativa do jornal - Por Rosa Joesting
Parabelizo os pais Silvia Basseto e Adalton Garcia que uniram forças com a direção do CEMA e criaram o jorma informativo do colegio. Parabéns amigos vocês estão fazendo a diferença.
26/02/2013  Quem Escolhe a Escola dos Filhos? - Por Tania Zagury

Quem Escolhe a Escola dos Filhos?
A família vive hoje uma crise de identidade. Embora seja bem grande o número de pessoas que criticam os pais (cada vez com mais severidade), como se fossem eles os únicos culpados por quaisquer atos inadequados dos filhos, nunca houve nas gerações anteriores pais tão preocupados com a democratização da relação. A hierarquia rígida que existia na família foi sendo gradualmente substituída pelo diálogo, pelo respeito à individualidade e às características pessoais de cada um dos filhos, pelo direito à privacidade, pelo desejo de alcançar uma relação baseada no respeito mútuo e não no medo. Enfim, de uma maneira geral, vimos assistindo, ano após ano, a luta dos pais para não repetirem o modelo inflexível que vigorou até a década de 60. Até então prevaleciam duas concepções: ou a criança era vista como um adulto em miniatura (o que gerava expectativas irreais sobre suas possibilidades: não se sujar, sentar direitinho, não deixar cair nada das mãos etc.) ou, ao contrário, como um ser incapaz de participar de quaisquer decisões sobre a sua vida (era comum ouvir-se: criança não tem querer!). Qualquer que fosse a maneira de encarar a criança, seu caminho era apenas um: obedecer sem contestar. Depois de uma verdadeira "revolução", chegou-se ao oposto: tem criança decidindo até o modelo de carro que o papai vai comprar ou se a família vai encomendar um irmãozinho a mais! Não é força de expressão. É fato. Devido a tantas mudanças, pais e mães, muitas vezes, confundem ou ignoram o seu verdadeiro papel. Em nome da igualdade, tem gente desesperada com a falta de limites dos filhos. A questão que se coloca portanto é: até onde vai o direito de as crianças decidirem sobre a sua própria vida e sobre a vida da família?
Ouvir e atender às necessidades dos filhos é fundamental, é, aliás, uma obrigação dos pais esclarecidos. Saber quais são seus desejos, preferências, pensamentos, expectativas e necessidades é, sem dúvida, importante. Mas é necessário, em meio a tudo isso, que os pais estejam muito conscientes do papel que lhes cabe e quais são as suas responsabilidades com os filhos. Por exemplo, quem deve decidir que tipo de escola o filho deve freqüentar, qual o modelo de educação a ser seguido, com que idade começar a freqüentar o colégio, se deve ir ou não à escola porque está chovendo muito? Decisões desse teor devem tomar por matriz a análise cuidadosa do estágio de desenvolvimento da criança e não apenas o que ela gostaria de fazer, mas o que é necessário para o seu desenvolvimento harmônico e integral. Enquanto estão nas primeiras séries (Educação Infantil e Ensino Fundamental), sem dúvida, a escolha deve ser feita pelos pais. É evidente que a criança não tem ainda condições - intelectual ou emocional -, nem discernimento para definir qual modelo de escola irá freqüentar - tradicional ou moderna, religiosa ou leiga, voltada predominantemente para o conteúdo ou a formação de habilidades. Compete, portanto, aos pais decidir.
Essa opção deve ser feita com base em vários elementos. O primeiro deles e o mais importante (antes de considerar distância da residência, equipamentos, instalações confortáveis, beleza da construção, limpeza etc.) deve ser a definição do tipo de educação que se deseja dar aos filhos. A escolha deve ser feita, antes de tudo, em conformidade com o trabalho educacional desenvolvido na família. É importante que não haja discrepância entre o que ensinam e o que é trabalhado na escola. Assim, se os pais acreditam que o mais importante é o desenvolvimento do raciocínio e da análise crítica devem buscar uma instituição que priorize a discussão e a formação do pensamento divergente. Se, ao contrário, acham que o respeito à hierarquia e à autoridade e o domínio do conteúdo programático são os aspectos essenciais na educação, devem procurar escolas que tenham perfil mais tradicional do ponto de vista pedagógico. O critério primeiro deve ser o modelo educacional. Já se vê, portanto que a criança, assim como o adolescente também, na maioria dos casos, não está habilitada para essa decisão. Em geral, o que ela priorizaria? A escola onde o amigo preferido estuda, o prédio mais "maneiro", as informações dos colegas sobre as "gatinhas" ou o "monte de rapazes lindos" e outras coisas que nada têm a ver com uma formação de qualidade. Afinal, os objetivos que norteiam os jovens costumam ser bem diversos daqueles que orientam as escolhas adultas.
Crianças e adolescentes buscam, na maior parte dos casos, antes de tudo, o prazer (mais ainda, o prazer imediato), enquanto que pais e professores têm metas educacionais, dirigem seu olhar para mais adiante. Em geral, jovens pensam no presente, no curto prazo; adultos visualizam o futuro, o médio e longo prazos.
O segundo aspecto essencial a ser considerado é a personalidade da criança. Como é o nosso filho ? É voraz e interessado em aprender ou só pensa em jogar futebol e videogame? Tem alta capacidade de concentração ou se distrai com facilidade? É motivado ou é preciso estar sempre criando situações para que se interesse por qualquer coisa? Tem interesses múltiplos? Desiste com facilidade dos projetos em que encontra dificuldade ou é tenaz e obstinado? É tímido e introvertido ou despachado e intrépido? Cada uma dessas perguntas - e muitas outras, evidentemente - devem ser consideradas. Existem crianças que precisam de mais incentivo do que outras, naturalmente motivadas. De acordo com esse conhecimento, os pais poderão estabelecer com mais segurança qual a escola ideal.
A partir de 12 anos mais ou menos, porém, se por alguma razão, precisamos transferir a criança para outro estabelecimento de ensino, ela já terá condições de trocar idéias de forma mais objetiva. Aí sim, será positivo ouvi-la para avaliar o que deseja. Mas é bom lembrar que o imediatismo do adolescente pode conduzi-lo a aspirações nem sempre as mais indicadas quando se trata de estudar. De todo modo, ouvir os filhos, em qualquer idade, é sempre bom e necessário; considerar de fato o que disseram também; a decisão final, no entanto, deve ser dos pais porque, de modo geral, quanto menores, menos condições de analisar adequadamente a questão. Nada, no entanto, que uma conversa bem orientada, com argumentos concretos e muita segurança por parte dos pais, não resolva. A família precisa reassumir sem medo o papel de principal agência educadora das novas gerações. A escolha da escola é uma decisão dos pais, ainda que baseada nos desejos e características dos filhos.
Tania Zagury (Filósofa, Mestre em Educação, Autora de "Educar sem Culpa" e "Limites sem Trauma", entre outros)

06/12/2012  Parabéns As Professoras das Educação Infantil - Por Janaina Banin - Mãe da Beatriz Banin (Mat II B)
Gostaria de deixar neste espaço, minha imensa gratidão as professoras da Educação Infantil, principalmente a Maricléia e Mariana (Maternal I e II vespertino) e suas auxiliares! São pessoas especias, que fazem do dia a dia das nossas crianças, dias de carinho, amor, educação, magia... e tudo de bom que deve ter uma infância feliz! E faz de nós pais, adultos mais tranquilos, por saberem que nossos tesouros maiores, estão em mãos de anjos... Obrigada! Sempre!
23/05/2012  Escola da Inteligência - Por José Ataíde

Gostaria de sugerir a Escola uma parceria com a Escola da Inteligência do renomado Psiquiatra e Escritor Augusto Cury, visando que nos tempos de hoje é muito difícil formar novos pensadores, que os alunos não são mais formadores de opiniões e não são capazes de criar a sua própria História, ficando aprisionados apenas na replicação do conhecimento e não na criação, seria muito bom termos uma parceria com uma instituição que conhece do assunto e pode fazer uma diferença enorme na vida de nossos filhos. Caso a escola queira saber mais, acessem http://www.escolainteligencia.com.br Abraços, José Ataíde.

22/03/2012  Dica de Aprofundamento - Por Silvia - Orientadora Educacional

Dica de Aprofundamento

Muitos alunos ficam apenas com o que o professor aborda em sala de aula e por este motivo, muitas vezes, não chegam a compreender o conteúdo.
     Uma dica legal para que o estudante finalmente se liberte e possa discutir e analisar os fatos com mais profundidade é a PESQUISA.
     Atitudes simples nos ajudam a ter mais conhecimento sobre fatos.
     Levar para a sala de aula um recorte de jornal, ou de uma revista sobre o tema estudado é um modo simples de aprofundamento.



Orientadora Educacional

Silvia

 

 

09/01/2012  Tablets Nas Escolas

 Segundo o Ministério de Educação e Cultura, o MEC, a partir de 2012 será feita a distribuição de tablets nas escolas publicas de todo o país (http://g1.globo.com/bienal-do-livro/rio/2011/noticia/2011/09/haddad-diz-na-bienal-que-mec-distribuira-tablets-em-escolas-publicas.html ). E quanto ao Machado de Assis? A escola permitirá o uso de tablets nas salas de aula?

24/10/2011  Passeios, viagens e excursões - Por Gil Rikardo > Pai do Tácio
É tudo tão veloz, é tudo tão passageiro, é tudo moda, é tudo fora de moda que muitas vezes deixamos de precisar o real valor de um despretensioso passeio entre colegas. E quando nos apercebemos passaram décadas. Eu estava lá. Ouço o grito de suas gargalhadas, dos olhares curiosos descobrindo novas paisagens e novos horizontes. Foi lá, lembro e até sinto o gostinho que descobri, a tal da mostarda preta... (numa cidade no interior de Santa Catarina) surpreendi-me com o achado e até os dias atuais sou freguês de tão exótico sabor. Saudosas lembranças de tempos que não voltam mais, experiências instigadoras dos inquietos sonhadores que nos acompanhavam em dias de excursão há trinta e cinco anos. É por essas e outras que venho aqui sugerir que tais passeios se tornem uma rotina anual a partir do 8ºou 9ºanos e que avancem pelo segundo grau até o 3ºano. Em minha opinião tais eventos são únicos. Com grande poder de transformação, além de ser inclusive mais um  item atrativo pela escola. Pensem com carinho. Desde já agradeço.
01/08/2011  A crença de que a felicidade é um direito - Por Eliana Brum

A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada

Por Eliana Brum

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil, ou que já nascem prontos; bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.
Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas, onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for e o que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.
Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muitoCom ética e honestidade e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova (notícia) não lá muito animadora: viver é para os insistentes.
Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito.  Tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues  sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?
Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.
Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.
Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter que aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.
A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida, que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais, vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.
Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.
Quando o que não pode ser dito vira sintoma, já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos, o mais fácil é calar. Não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.
Se os filhos têm o direito de serem felizes simplesmente porque existem e aos pais caberia garantir esse direito, que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.
Aos filhos cabe fingir felicidade e como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de se alcançar e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.
O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados e mais, sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. Acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.
Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. É nesse movimento que a gente vira gente grande.
Seria muito bacana se os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad, é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”.Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode, significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.
Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo ou para descobri-lo, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.
Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta, não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba. (e rápido)...


SOBRE A AUTORA:
ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê(Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua(Globo). 
E-mail: 
elianebrum@uol.com.br Twitter: @brumelianebrum 




 

30/04/2011  Calendário de Provas e Recuperação - Por Cesar Almeida

Quero sugerir que no calendário do mês seja colocada a 1ª semana do mês seguinte, pois no final do mês não temos como saber se na semana seguinte vai ter prova, hoje, dia 30/04/2011, sábado, não tenho como saber se 2ª, dia 02/05/2011 vai ter prova.

25/04/2011  Adoção - Por Ana Paula Eberhardt da Silva

Gostaria que fosse abordado o tema Adoção na escola pois tenho uma filha biológica e um adotivo.

A família fala muito sobre o assunto e não é mais um bicho de sete cabeças em nossa casa.

Faço parte de Um Grupo Voluntário(Grupo de Estudos Apoio Adoção de Joiinville).

Obrigada

Ana Paula Eberhardt 

07/04/2011  Senha na cantina - Por Juliana

Não sei qual o envolvimento entre cantina e escola, mas, considerando que ocupam o mesmo espaço acho que a sugestão vale por aqui. Senha para comprar o lanche seria interessante não?

28/03/2011  Rua do Lazer - Por Mãe de Aluna

A rua do Lazer foi ótima, e entregou todos os alunos, deveria ter este evento pelo menos uma vez ao mês.

06/10/2010  Pais Maus - Por (Dr. Carlos Hecktheuer, Médico Psiquiatra)

“Um dia quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães, eu hei de dizer-lhes: - Eu amei-vos o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.

Eu amei-vos o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

Eu amei-vos o suficiente para vos fazer pagar os rebuçados que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e vos fazer dizer ao dono: “Nós tiramos isto ontem e queríamos pagar”.

Eu amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o vosso quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

Eu amei-vos o suficiente para vos deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.

Eu amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.

Mais do que tudo, eu amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até odiaram).

Estas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci... Porque no final vocês venceram também! E qualquer dia, quando os meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães; quando eles lhes perguntarem se os seus pais eram maus, os meus filhos vão lhes dizer:
“Sim, os nossos pais eram maus. Eram os piores do mundo...As outras crianças comiam doces no café e nós só tinhamos que comer cereais, ovos, torradas. As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvetes ao almoço e nós tinhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. Nossos pais tinham que saber quem eram os nossos amigos e o que nós fazíamos com eles.

“Insistiam que lhes disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Nossos pais insistiam sempre conosco para que lhes disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade.

E quando éramos adolescentes, eles conseguiam até ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata”!

“Nossos pais não deixavam os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para que os nossos pais os conhecessem.

Enquanto todos podiam voltar tarde da noite com 12 anos, tivemos que esperar pelo menos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aqueles chatos levantavam para saber se a festa foi boa (só para verem como estávamos ao voltar)”.

“Por causa dos nossos pais, nós perdemos imensas experiências na adolescência.

- Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime”.

“FOI TUDO POR CAUSA DOS NOSSOS PAIS!”
“Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o melhor para sermos “PAIS MAUS”, como eles foram. EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE:
NÃO HÁ PAIS MAUS SUFICIENTES”!

 

23/07/2010  Criancas, Internet e Pedofilia - Por Instituto WCF Brasil

A parceria FIESP–Instituto WCF-Brasil, que viabilizou esta Cartilha, tem o objetivo de proporcionar aos pais e amigos das crianças e adolescentes o contato com um tema importante, que exige presença ativa e compromisso educativo atento de todos ao seu redor.
A proteção das crianças e adolescentes só poderá ser fruto de relações pautadas no respeito, em que a violência seja substituída por ações de promoção de cidadania.
O uso adequado dos recursos tecnológicos, especialmente da Internet, é um desafio de todos aqueles que se encontram engajados em prevenir situações que acarretem situações de risco.
Espera-se especialmente que os responsáveis pelas crianças e adolescentes possam oferecer-lhes oportunidade de estabelecer relacionamentos interpessoais positivos, nos quais se sintam amados e confiantes em sua experimentação da convivência social.

Instituto WCF-Brasil

Clique aqui para ver o texto completo!

 

24/05/2010  Castigos e Recompensas - Por Jon Talber

Pais e educadores deveriam se preocupar com a chamada educação compensatória, onde o filho ou aluno recebe presentes ou agrados para cumprir seus deveres escolares, ou as pequenas tarefas do seu dia a dia. Se em casa os pais vêem na recompensa uma forma de motivá-los e dar-lhes uma força extra na hora de cumprirem suas tarefas rotineiras, na escola, o educador, em nome da instituição e do sistema, incentiva o comportamento competitivo, ao conferir honras a aquele que alcança as metas estabelecidas. Em ambos os casos, cria-se uma inevitável situação de competição entre todos os indivíduos. Na escola será entre os alunos, e em casa, entre irmãos ou com os próprios pais. Em ambientes assim, o entendimento entre as pessoas é impossível, uma vez que todos, de alguma forma se tornam adversários entre si.

Por que não deveria ser uma coisa natural o cumprimento de uma tarefa em benefício próprio? Para escovar os dentes é realmente necessário um incentivo; um convencimento mediante um agrado, ou outro tipo de persuasão? Não seria mais simples mostrar para as crianças a realidade das coisas, os efeitos da omissão caso não cumpram com seus deveres, ao invés de torná-las simples máquinas cumpridoras de ordens, sempre esperando receber alguma coisa em troca? Há algum tipo de ação em nossas vidas que façamos sem esperar absolutamente nada em troca? Duvidamos que haja.

Como podemos esperar uma sociedade justa, se o justo para nós é a compensação, alguma forma de pagamento pelo que quer que façamos? Não precisa ser uma compensação imediata, material, pode ser um consolo espiritual, uma compensação maior para o futuro, ou além da vida, e assim por diante. Não é tudo a mesma coisa; uma busca por compensações, a exemplo daquilo que aprendemos quando éramos crianças?

Buscamos a perfeição, não porque sabemos ser imperfeitos, mas porque isso significa obter mais poder, e representa o ponto culminante no meio social onde vivemos, onde todos disputam entre si, em busca de destaque pessoal. Numa situação permanente de disputa como esta, não é possível introduzirmos em nossas vidas o que chamamos de ordem. Não podemos admitir que possa existir ordem numa sociedade onde a disciplina tem que ser obedecida à base da força, das leis, o que caracteriza claramente falta de ordem, o que indica que a falta de bom senso é a única realidade que temos.

Por isso mesmo, a desordem que faz parte dos nossos dias, faz nascer em cada um de nós, um sonho de uma ordem capaz de colocar tudo nos eixos. É claro que não conhecemos essa ordem, esse modelo perfeito de organização contrário ao caos que podemos ver à nossa volta. Como pais ou educadores, cientes de que o mundo, dentro da atual condição, apenas conseguirá levar o homem a mais sofrimentos e crescentes angústias, cabe a nós encontrar os meios necessários para que, através de uma correta orientação, tenhamos em nossos filhos e alunos, aliados em busca de um mundo melhor, e não meros multiplicadores do caos que já existe.

Nessa busca, precisaríamos em primeiro lugar, nós próprios, encontrarmos as respostas capazes de operar uma transformação pessoal, de modo que de posse dessa solução, fossemos então capazes de repassarmos a eles; não no papel de instrutores, simples difusores de soluções prontas, mas como espelhos capazes de refletir pela conduta, tal realidade. De que adiantaria desejarmos mudar a mentalidade do mundo, se a nossa própria permanece nos moldes desse mundo?

Os erros, infelizmente ou felizmente, para o homem, ainda são a principal fonte dos seus acertos. Cada erro se propõe a nos ensinar, desde que estejamos dispostos a aceitar isso como um fato.

Um erro se presta a nos ensinar como não devemos agir, e a partir deles, se bem aceitos e compreendidos, tendem a nos favorecer. É certo que ninguém, de bom senso, deseja errar de forma intencional, e a despeito dos efeitos e malefícios que são capazes de causar à nossa volta, também é certo que deles só podemos tirar a algum proveito, se estivermos dispostos a aceitá-los, não como punições ou castigos, mas como reflexo do ser imperfeito, independente de nossa condição social, credo ou raça, que ora somos. Somos produtos de um mundo imperfeito, não podemos ser perfeitos, e a razão é bastante simples: Um mundo psicologicamente imperfeito não é capaz de produzir homens psicologicamente perfeitos.

Ao buscar na recompensa uma forma de motivar o filho ou o aluno a cumprir seu dever natural, há aí uma grande falta de respeito; então vejamos. O incentivo por menor que seja, logo cria o hábito de que a qualquer tarefa realizada, sempre alguma coisa ele obterá em troca. Se como adultos somos motivados à elogios, ou promessa de méritos, logo a origem de tudo, tem no nosso passado o ponto de partida. Na verdade tal prática incentiva à preguiça, uma vez que a disciplina e ordem natural que cada um deveria desenvolver em sua prática diária, logo é corrompida com a idéia de que, para tudo que alguém se presta a fazer, há sempre uma compensação a sua espera. A disciplina então torna-se obrigação, e a obrigação um negócio, um meio de ganhar alguma coisa.
 

Quando não somos capazes de acreditar em nossos próprios filhos ou alunos, a recompensa é o único meio de motivá-los; de extrair deles algum resultado, mesmo que seja a própria educação. Se ao incentivarmos nossos filhos a escovar os dentes após às refeições, os próprios benefícios dessa prática, o que significa a saúde dos seus dentes, deveria ser em si mesmo meio e fim, sem necessidade de prêmios ou motivações complementares. Explicar e fazê-los compreender os benefícios que obterão para si mesmos com tal hábito, deveria ser nosso papel, e não o emprego de qualquer tipo de coação. Ao coagi-los sob a força de prêmios a realizar algo que se reverterá em benefício próprio, estamos criando um indivíduo incapaz de respeitar o que quer que seja, a não ser por força de alguma obrigação ou medo.
 

É a recompensa de todo nociva ao desenvolvimento do indivíduo, que antes disso, deveria pela autodisciplina, descobrir que o respeito pelo seu próximo, começa com o respeito pessoal. Aprendendo a cuidar de si porque compreendeu que é a coisa certa e sensata, que é o caminho que o tornará independente e o ensinará a respeitar o espaço alheio, ele exigirá menos dos outros, irá valorizar o esforço pessoal e alheio. Terá mais possibilidade de viver num mundo integrado e livre dos antagonismos comuns, de um mundo de disputas, próprio daqueles que trabalham numa só direção, a dar para receber algo em troca.
 

Assim, nosso papel de explicar o que devem fazer, e mais importante, porque estão fazendo, é fundamental. De pouco serve exigirmos que nossos filhos passem anos e anos numa escola, sem contudo, lhes explicarmos porque estão fazendo isso; não podemos deixar isso na mão dos educadores, eles não o farão. Precisamos ir além e enumerarmos para eles, de forma compreensível, todos os benefícios que deverão esperar de tal esforço, isso é respeito, é o mínimo de um máximo que poderíamos dispensar à eles, se houvesse interesse de nossa parte. Faríamos isso de boa fé, se tivéssemos a certeza de que seríamos imediatamente, de alguma forma, recompensados.
 

Jon Talber é pedagogo e escritor de temas de auto-ajuda. Estudou por muito tempo filosofia oriental e antropologia.
Torna-se mais um colaborador eventual do nosso Site, onde pretende compartilhar parte daquilo que aprendeu.

24/05/2010  Como escolher um software educativo para seu filho ou aluno. - Por Alberto Filho

Em um futuro não muito remoto, o professor que não souber avaliar e escolher um Software educativo, será considerado analfabeto.

INTRODUÇÃO:

De uma coisa todo mundo já sabe; difícil é encontrar criança que não fique fascinada ao entrar em contato com um computador. O apelo visual, primeiro critério que a criança usa para aprovar alguma coisa, é muito forte. O fato de poder lidar com uma máquina feita para os adultos também a atrai muito, além das cores, movimento, música e imagens fantásticas.

Isto deveria ser então o cenário ideal para se usar o computador como ferramenta eficiente de ensino. Mas, não é o que acontece. O que se vê, mesmo entre os chamados "Especialistas", é uma completa falta de bom senso. E assim os pais e professores são na maioria das vezes conduzidos pela indústria do Software que se diz educativo e, jogam em cima das crianças estes programas que são baseados apenas nas idéias dos "teóricos educacionais" e portanto, em sua grande maioria de valor didático discutível.

O poder do computador como ferramenta educacional é indiscutível, mas se usado com critérios. A coisa mais importante é saber o que se está colocando nas mãos das crianças tanto em casa como na escola. Não é brincadeira. Qualquer impressão errada passada à criança nessa fase, terá repercussão pelo resto de sua vida. 

CUIDADOS ESPECIAIS:

Não adianta acreditar em tudo que dizem os fabricantes e distribuidores de software. Estes farão de tudo para vender seus produtos, se terão valor educativo de fato é outra história.

Educação é uma coisa só, com ou sem tecnologia. Para educar bem é preciso entender como funciona uma criança. Criança não é psicologicamente igual a adulto. Criança tem seu próprio ritmo e forçá-la a tornar-se adulto antes do tempo – o que a maioria das pessoas tenta fazer – vai trazer prejuízos irreparáveis ao seu caráter, capacidade intelectual e maneira de ver a vida quando adulto.

UM IMPORTANTE LEMBRETE:
A presença do pai ou professor será sempre necessária no processo do aprender. O computador é apenas uma grande ferramenta de trabalho auxiliar nessa tarefa. Pai ou professor, orientando, encurtando os caminhos, usando os métodos tradicionais, incentivando brincadeiras de campo, nunca poderão ou deverão estar ausentes. A presença humana na educação, é insubstituível. Sem ela não há educação.

Um bom professor ensina de um modo que o aluno não percebe que está estudando, não existem as obrigações explícitas comuns do aprender, então tudo é como diversão. Assim também deve ser um software educativo.

Então, como "ensinar" sem que o aluno perceba que está cumprindo a árdua missão de aprender alguma coisa?

Resumindo tudo, como associar um rico conteúdo didático a um programa que ensine e divirta ao mesmo tempo?

Quando uma brincadeira é divertida e envolvente a criança tem prazer em pratica-la, e conta as horas até que possa novamente repeti-la. Dificilmente a esquecerá, mesmo que suas regras sejam complexas.

Quais seriam então as brincadeiras que mais agradam as crianças? Para saber disso, é preciso entender como a criança vê o mundo a sua volta. E é um mundo muito diferente daquele que os adultos vêem. Sendo bom observador, paciente e tendo interesse o adulto pode descobrir, mas enquanto isso não é feito aqui vão algumas dicas que muito poderão ajudar na hora de escolher um software educativo ou uma atividade educativa qualquer, para seu filho ou aluno. 

Primeiro, crianças são seres individuais e portanto apesar de viverem em coletividade, precisam ser tratadas de forma individual. Por uma questão cultural meninos podem preferir softwares diferentes dos das meninas. Do ponto de vista didático esta diferença não existe, e não deve ser incentivada.
A criança que pergunta muito, só o faz se a pessoa ao seu lado for receptiva e lhe inspirar total confiança.
Do ponto de vista de uma criança, a última impressão é a que fica. Pai ou professor de bom humor durante 364 dias do ano e de cara feia no último dia, apenas este último dia será levado em conta. Nesse caso a última impressão é a que fica mesmo.
O que soa agradável para uma criança, pode não ser para outra, então, se possível, a escolha do software deve obedecer a critérios individuais.
Errar e tentar de novo, infinitas vezes, é a regra básica de uma criança.
A frase "Tá errado" deve ser substituída por "Vamos tentar agora dessa outra maneira". "Tá errado", gera instabilidade e insegurança na criança. Ao término de uma tarefa, a frase destruidora da criatividade humana, "Você tem certeza?", deve ser evitada; diga simplesmente que está certo e pronto.
Aqui vale um alerta importante. Pais e professores não se enganem, crianças adoram jogos violentos daqueles com muita destruição à volta, principalmente pela ação, movimentação, explosões, tiros, efeitos sonoros incríveis e o farto apelo visual que possuem estes softwares. Cabe então a cada um mantê-los afastados destes. Os danos psicológicos que estes softwares causam nas crianças além de ansiedade comprovada, são devastadores, e não vem ao caso agora.
Uma coisa muito importante: A criança é muito exigente quanto a qualidade gráfica e estética de um programa, e isso tem influência decisiva na sua aceitabilidade do mesmo. O programa pode ser o melhor do mundo em conteúdo, se não tiver boa qualidade gráfica, é bom nem tentar. 

PREFERÊNCIAS INFANTIS E PARTINDO PARA A AÇÃO:  

Criança basicamente gosta de: Explorar, de ser desafiada, de desenhar, de objetos que se movem, de música, de sons engraçados, de fantasiar as coisas, de animais engraçados, de ver como as coisas funcionam, de ver o que as outras crianças estão fazendo, de ensinar a outras crianças, de ouvir histórias, de Ter a atenção de alguém mais velho, de objetos estranhos, de brincar de construir alguma coisa, de observar formas curiosas e de não Ter obrigações.

Então o que a criança verdadeiramente gosta de fazer no computador e o que tem valor educacional para ela?

Aqui vamos destacar programas de dois tipos; os chamados "Jogos Criativos", por serem de grande importância para este público, e os de "Desenho e Pintura".

Softwares educativos quanto a sua vida útil, são classificados por um critério simples chamado, repetibilidade. Significa: a vontade que a criança tem de jogá-lo outra vez repetidas vezes.
Os softwares educacionais são normalmente categorizados pelo assunto tratado; Leitura, Escrita, Geografia, ou Matemática, por exemplo.
As enciclopédias, atlas geográficos, livros de ciências, cursos multimídia e outras coisas nesse gênero, são exemplos deste segmento.  

OS JOGOS CRIATIVOS:  

Os programas do tipo "Criatividade", usam diversão e a curiosidade natural da criança para ensinar o que é menos óbvio, embora sejam ensinamentos igualmente ou mais valiosos. Pela apresentação de atraentes e envolventes mundos novos prontos para serem explorados, repletos de desafios, enigmas, e jogos, estes softwares de objetivo livre, ensinam as crianças a desenvolver os conceitos básicos – do simples correto sentar a mesa a complexas soluções de problemas – que eles com certeza vão precisar mais tarde na vida.

A idéia central é que a criança se diverte e nem nota que está aprendendo.

Podemos comparar estes programas do tipo "Criatividade", com os "livros de atividades" repletos de figuras para desenhar e pintar, e quebras cabeças para resolver. Só que as versões do computador adicionam a isto, a beleza das ilustrações cheias de cores, animações, e som para torná-los ainda mais interativos e divertidos.

Estes "Jogos Criativos", desenvolvem a capacidade de resolver problemas, o pensamento crítico e o raciocínio lógico e são indicados para uma faixa etária, na maioria, entre 3 e 8 anos, e em uns poucos casos para 8 anos e acima.

Os "Jogos Criativos", envolvem um grande número de atividades. Vamos destacar algumas.

1. Ensinar a tomar decisões, mostrar conceitos de comportamento social correto, cidadania, normas de higiene, conceito de certo e errado.

2. Ensinar conceitos de ecologia, biologia, reciclagem de materiais, dar nomes aos objetos, identificar objetos usados em casa, escola, cidade, campo, etc.

3. Ligar os pontos para formar figuras, compor cenários, compor ambientes, vestir figuras de modo adequado e variado, quebra cabeças, jogos de memória, labirintos repletos de obstáculos, desafios e objetos escondidos.

4. Reconhecimento de objetos, formas, letras, números e noções de contagem.

Criança adora explorar o mundo a sua volta. Quer saber como as coisas funcionam e como reagem ao seu contato. Jogos do tipo; explorar lugares em busca de objetos escondidos superando obstáculos, são dos mais preferidos. Os populares jogos de memória, tipo formar pares ocultos, desde que tenha diversificação e boa qualidade gráfica e sonora, elas simplesmente adoram.

Programas que ofereçam desafios não repetitivos, onde o jogador precise vencer barreiras para conquistar algum objetivo, são excelentes para desenvolver a auto confiança e a capacidade individual de resolver problemas. Desafios muito complexos não são recomendáveis para crianças entre 3 e 7 anos, elas não gostam.

Pontos positivos e negativos em softwares desse tipo por faixa etária:

Pontos positivos, faixa etária entre 3 e 9 anos:
Som, música, voz de outras crianças, gráficos bem feitos.

Pontos negativos, mesma faixa etária:
Música desagradável, voz de adultos, interface (aparência geral da tela, a disposição dos controles, botões de comando, etc.) confusa, desenhos com poucos detalhes.

Pontos positivos, faixa etária 10 anos e acima:
Som, música, voz de adultos ou crianças mais velhas que elas, desafios mais elaborados, interface mais sóbria (não muito infantil) e gráficos bem feitos.

Pontos negativos, mesma faixa etária:
Música desagradável, voz de crianças menores, interface muito infantil, desafios muito simples e desenhos com poucos detalhes. 

OS PROGRAMAS DE DESENHO E PINTURA:

Os Programas de Desenho e Pintura, desenvolvem a criatividade e imaginação infantil. Estes softwares são indicados para uma faixa etária muita dinâmica entre 4 e 14 anos, e em uns poucos casos de 14 anos e acima.

Este tipo de software agrada a todos sem distinção, normalmente meninos e meninas gostam muito.

Criança gosta muito de desenhar com ou sem o computador. Através do desenho ela exercita seu lado criativo e suas fantasias. Com os recursos gráficos e cores abundantes que os programas de computador desse tipo oferecem, ela vai estar no paraíso.

Programas que permitam desenhar, colorir, construir formas, ambientes conhecidos, são muito bem aceitos e tem grande valor educativo e alta capacidade de entretenimento.

Eis algumas recursos que merecem destaque neste tipo de software:

1. ATIVIDADES: O desejo que as crianças tem de tentar coisas novas aliado a sua impaciência, podem rapidamente saturá-la com um software que apenas a deixe pintar e desenhar. Atividades artísticas pré definidas tais como; livros para colorir, construção de cartões e cartazes, construção de objetos ou ambientes a partir de uma galeria de formas existentes, resolvem esse problema.

2. TEXTOS: Efeitos especiais na elaboração de textos é um diferencial importante. A maioria dos programas não oferece a possibilidade de se usar letras estilizadas com formatos gráficos especialmente elaborados para a ocasião.

3. ANIMAçãO: Slides, e possibilidade de se fazer animações com seus próprios desenhos é uma atração que agrada a todos.

4. FERRAMENTAS DE PINTURA E DESENHO: Vários tipos de lápis, pincéis, traços de formatos variados, quanto mais recursos desse tipo melhor.

5. GALERIA DE OBJETOS: Galerias de objetos e formas, onde a criança pode selecionar uma figura ou cenários de fundo, digamos uma árvore, um animal, um objeto, e copia-lo para o seu desenho, é um atrativo que deveria ser obrigatório. Isto tem um grande peso e é altamente recomendado, pois deixa a imaginação da criança fluir, diante das possibilidades que ela terá diante de si para incrementar sua obra.

Para finalizar uma observação importante: Nunca compre software apenas pelo que está escrito e desenhado na embalagem, dê um jeito de testá-lo antes. Algumas lojas possuem cópias disponíveis para este fim e outras não testam.

Se a loja não testa, procure uma que o faça, para não Ter surpresas desagradáveis depois. Apesar do direito do consumidor alegar que você pode trocar produtos à vontade, a loja tem obrigação apenas de trocar o software por outro igual e caso seja comprovado algum defeito de fabricação no mesmo. 

O Autor: Alberto Jorge Filho.
Trabalha com desenvolvimento de software educativo infantil.
Email: albjorge@yahoo.com.br
 

Fontes de informações adicionais:
Family PC Magazine: http://www.familypc.com
ZDNET: http://www.zdnet.com

Pygame - Python Game Development: http://www.pygame.org/wiki/about

The State of Children's Software Evaluation:
http://www.childrenssoftware.com/aboutcsr.html
http://www.childrenssoftware.com/evaluation.html

Tutoria de Jogos: http://www.ppgia.pucpr.br/~radtke/jogos/

Veja também este artigo em PDF: http://ctl.sri.com/publications/downloads/IEEEComputerArticle.pdf

20/05/2010  Alguns Benefícios Didáticos do Jogo de Xadrez - Por Alberto Filho

"Um problema e mil alternativas, eis a visão de um jogador de xadrez..."

Parece que um dos grandes problemas dos nossos tempos, é a visão quase sempre parcial que temos das coisas à nossa volta. Isso normalmente ocorre porque valorizamos a especialização. Desde cedo somos condicionados a buscar na especialização uma resposta para todos os nossos problemas. Isso limita nossa visão do mundo, uma vez que passamos a ver tudo como fragmentos. É como se olhássemos o mundo de uma janela e a parte visível representasse tudo o que existe. Se emocionalmente reagimos de uma maneira bem peculiar a cada situação, assim como nós, todas as outras pessoas tem seu próprio modo de reagir às mesmas situações. Podemos constatar isso facilmente pela observação dos nossos gostos, particularidades, nossos medos, etc.

Um dos grandes desafios do educador, deveria ser o formar alunos dentro de uma filosofia integral. Por integral entendemos, ver o movimento da vida como uma coisa só, não estática, sempre dinâmica, e não como fragmentos, como é a visão especialista. Entendemos que a vida como um todo, retrata todas as faces do ser humano, suas crenças, os medos, os conflitos, as incertezas, a angústia e todo sofrimento ao qual está sujeito; seu funcionamento fisiológico e principalmente psicológico. Não podemos compreender um ente humano a partir de uma parte do seu comportamento, de uma posição social, de uma situação étnica, de uma postura ideológica. Ele é tudo isso e muito mais, mais do que podem perceber nossos sentidos e nossa mente condicionada, e limitada pela especialização. De certo modo somos orientados desde cedo, a seguir uma carreira, a pensar dentro de uma metodologia, dentro de uma doutrina ou conjunto de regras, o que acaba se tornando o nosso mundo. Um mundo privado e cercado pelas muralhas desse conhecimento, que é o nosso saber, e atrás das quais nos escondemos, o que de certa forma nos conforta, pois é um terreno sempre conhecido, mas é como se além daquilo nada mais existisse.

Entender que a vida é dinâmica e está sempre em transformação, que é um mundo onde as alternativas mudam de posição à todo momento, como exige o próprio ir e vir do viver, capacita o estudante a ter uma mente mais flexível, com disposição a se renovar sempre, o que o facultará a acompanhar com mais realismo este incrível movimento. Uma mente flexível, sabe que as alternativas existem, e nunca se contenta com respostas prontas, é por natureza curiosa, está sempre aberta ao que é novo. O raciocínio lógico de algum modo capacita o jovem a pensar logo em alternativas, como possíveis respostas para seus problemas. Essa visão o impede de tomar decisões precipitadas em sua vida adulta, pois saberá que para todo problema, sempre haverá uma solução, e muitas alternativas para se chegar a ela. Uma mente assim é sem dúvida uma mente mais capacitada para lidar com a dinâmica da vida.
 

Um dos maiores dilemas do ser humano é sentir-se encurralado diante de uma situação. Nesse momento, nossa mente não consegue raciocinar de uma forma lógica, os pensamentos são mais ou menos fixos, ou ficarão girando em torno de uma mesma coisa, normalmente as implicações do problema, como se estivesse presa numa espécie de vácuo mental. Numa condição assim, desaparecem as respostas prontas, como que por encanto não conseguimos vislumbrar alternativas, há como que uma espécie de engasgo temporário, do qual nossa mente não consegue se libertar. Isso acontece na maioria das vezes, devido ao nosso condicionamento rígido que valoriza a visão fragmentária das coisas. Quase nunca somos capazes de ver um problema a partir da sua origem, mas apenas aquilo que se nos apresenta como um. Tentamos solucionar um problema pelos seus efeitos, o que é um grande erro, pois a conseqüência de um problema, pode muito bem ter como origem, outro problema esquecido ou mal resolvido, e assim podemos resolver aquilo que nos parece ser o problema, mas sua origem permanecerá nas sombras.
 

Essa visão parcial limita nosso pensar, limita nossas ações diante de problemas simples ou complexos. O indivíduo que se especializa numa determinada área do conhecimento, por certo terá uma visão bastante restrita de tudo que não diga respeito aos seus domínios. Isso é muito simples e lógico, mas nunca é tratado como uma das razões da angústia humana. Uma visão parcial, cria um individuo temeroso de tudo que possa encontrar além da sua área de atuação, se sentirá naturalmente inseguro diante de qualquer situação que fuja ao seu controle, terá determinação e dinamismo apenas dentro dos limites do seu saber, o que criará entre ele e o resto do mundo um distanciamento natural. Será por natureza conservador, e sempre dependente de outros para guiar seus passos fora daquilo que conhece; um indivíduo inflexível que dificilmente conseguirá ser feliz diante de uma vida, que está sempre em movimento, sempre a se diversificar, em constante renovação.
 

Possibilidades múltiplas precisam ser consideradas diante de cada problema. Essa bem que poderia ser a primeira diretriz que deveríamos passar para nossos filhos e alunos. Isso resolveria o problema das verdades únicas que afloram mundo afora. Teríamos um jovem sempre questionador, sempre disposto a aceitar, não apenas porque aquilo lhe é imposto, mas porque assim concluiu, depois de analisar dentre todas as possibilidades, que uma questão pode suscitar. Seguir sem questionar é fácil, é o que quase todos nós fazemos vida afora, mas um indivíduo só se torna questionador, quando sabe que para cada questão há sempre uma solução, dentre as inúmeras possibilidades que pode ter diante de si. Isso quer dizer, que uma mesma questão, apesar de ter apenas uma solução, tem vários caminhos para se chegar a ela, e não um só. Pode parecer simples, mas normalmente diante de um problema, ele emperra porque só conseguimos vislumbrar a solução que o mesmo exige, o caminho para onde o mesmo aponta, e nunca os caminhos alternativos, que também nos conduziriam a essa mesma solução. O caminho único pode limitar nossa ação, mas diante de alternativas acabaremos por encontrar uma sobre a qual possamos agir.
 

Uma visão mais ampla, quer dizer alguém que seja capaz de enxergar, não apenas o adversário que está diante de si, mas também todo ambiente à sua volta, todos os demais protagonistas que fazem parte da cena, todo o cenário onde se desenvolve a coisa, todas as possíveis saídas. Fitando apenas o adversário, nosso único sentimento será de estar completamente encurralado. A visão geral da situação, o que também inclui o adversário, nos permite fazer uma melhor avaliação do problema, ampliar o espectro de suas conseqüências, nos mostrar as opções das quais podemos dispor para solucioná-lo, e podemos mesmo concluir que, pode nem haver um problema; que o problema exista apenas devido à nossa visão limitada e restrita do mesmo, porque não olhamos o geral, e sim apenas a parte que se nos apresenta, como um suposto problema.
 

Um jogador de Xadrez, tem diante de si problemas, situações que se apresentam, de um modo inicial, como se não existisse solução. Mas eis que ao erguer sua vista, ele pode vislumbrar mais adiante, ter uma visão geral da coisa. Ao ver o tabuleiro por inteiro, ele pode avaliar melhor o problema que tem diante de si. Vê o problema, vê a origem do mesmo, vê o que tem em mãos para tentar solucioná-lo, pode antever se as soluções que imagina terão o efeito desejado, terá diante de si as conseqüências de cada decisão que resolva tomar. Ele tem uma visão privilegiada da situação por inteiro. Pode reconstituir todos seus passos, que o conduziram até aquele problema, e diante dos fatos, pode finalmente aprender sobre os efeitos de falhas cometidas. Saberá ainda como superar, no futuro ou no agora, cada dificuldade que se apresente diante dele. Para se aprender de forma adequada, a atenção é sem dúvida a qualidade mais importante. O jogo de Xadrez, se propõe a despertar em primeiro lugar, entre seus praticantes, esse essencial estado que é a atenção, o que os tornará observadores qualificados, mais cuidadosos com os detalhes, mais criteriosos e capazes em suas decisões.

Sua visão se renova, seu modo de pensar se amplia, e terá a seu favor dois fatores mais que importantes na solução de qualquer questão da vida; a lógica que o ensinará a sistematizar e organizar uma questão antes de tentar resolvê-la, e a versatilidade de uma mente aberta, que está sempre disposta a experimentar as novas possibilidades, além daquelas já existentes, para solucionar uma mesma questão. Na visão tradicional, temos diante de nós muitas soluções prontas para antigos e novos problemas. Se eles nunca se renovassem seria um mundo perfeito, mas eles mudam de forma, e as antigas soluções estão sempre atrás, se mostram obsoletas, incapazes de por um fim a coisa. Sendo orientado para a partir do todo se chegar à parte, o jovem praticante de Xadrez, desenvolve a capacidade de antecipar situações possíveis de criar problemas. Logo ele se torna mais capaz de solucionar problemas, não apenas os de natureza lógica, mas de qualquer natureza.
 

Uma mente vigorosa, ativa e cheia de músculos mentais bem desenvolvidos, é o benefício imediato de quem mentalmente articula muitos caminhos e possibilidades para se chegar a um objetivo. É a mesma coisa de um autor de ficção a criar uma trama onde, por exemplo, o personagem principal, ao caminhar por uma estrada cheia de obstáculos, tivesse que tratar cada um, de uma maneira sempre nova, o que não seria possível com uma mentalidade inflexível. Nessa prática, devemos ainda ensinar, que o jogo apesar de ser uma competição, não precisa tornar-se uma disputa, pois não deve existir perdedor ou vencedor, se ambos, jogador e adversário estão aprendendo juntos.
 

18/05/2010  Lição de Casa - Que prática é essa? - Por Eliane Palermo Romano

LIÇÃO DE CASA – QUE PRÁTICA É ESTA?
                                           Eliane Palermo Romano
 
               A Lição de Casa é uma prática instalada na rotina escolar e, com pequenas diferenças, acontece na grande maioria  das escolas, sejam quais forem as suas concepções de ensino e aprendizagem.
No entanto, a Lição de Casa também tem sido objeto de preocupação e desconforto, por parte de todos os envolvidos: professores, pais e alunos. Considerando o quanto o dever de casa é parte do processo escolar, é curioso o quanto incomoda.
Para os professores, é um trabalho diário de planejar e preparar tarefas adequadas e pertinentes aos conteúdos tratados em sala de aula, possíveis de serem realizadas sozinhas pelo aluno. Depois, ainda merece a atenção do professor no que diz respeito à correção, à devolutiva que é feita ao aluno, às revisões necessárias, aos alunos que apresentam dificuldades em realizá-la ou que não fazem a lição de casa, por diferentes motivos. E, este trabalho, na maioria das vezes, não revela a riqueza e a criatividade das situações vivenciadas em sala de aula, das metodologias utilizadas, restringindo-se a atividades mecânicas e de fixação de conteúdos, comprometendo, inclusive, o entendimento do Projeto Pedagógico da Escola, por parte dos pais.              
 Para estes, que têm como referência principal o seu próprio filho, a Lição de Casa recebe avaliação controversa: para alguns, é muita tarefa e não sobra tempo para outras atividades; para outros, é pouca tarefa, que é realizada em dez minutos e a criança não adquire hábitos de estudo. Para alguns pais, ainda, a lição de casa não tem a qualidade desejada, seja porque é fácil demais, sem desafios ao aluno, ou porque a criança não consegue fazê-la sozinha, necessitando de ajuda, o que nem sempre é possível, pela falta de tempo ou mesmo pela dificuldade dos pais compreenderem as novas metodologias de ensino, diferentes do seu tempo de escola. Há ainda, aqueles que avaliam a qualidade dos enunciados, a clareza das propostas, os erros ortográficos ou de digitação e até mesmo os erros conceituais.
Para os alunos, a Lição de Casa, muitas vezes, também gera desconforto. Há alunos que apresentam uma necessidade de corresponder à idéia de que só serão aceitos pela professora, se suas lições estiverem completas, corretas e perfeitas. Isto causa ansiedade e sofrimento. Há alunos que não se permitem errar e, portanto, não se permitem tentar, ousar, levantar hipóteses, pensar e fazer conforme aquilo que pensou. São alunos que precisam da certeza de que sua resposta é aquela que, supostamente, a professora está esperando. Sabemos que há alunos que fazem da lição de casa um pretexto para ter a presença e atenção dos pais, apresentando uma suposta falta de autonomia, já que em sala de aula realizam, sozinhos, atividades semelhantes. Temos também, alunos que apresentam dificuldade com a organização de sua rotina diária e esquecem de fazer ou de trazer a lição. Isto para alguns é bastante perturbador e, portanto, ocorre esporadicamente. Para outros, ocorre com freqüência e precisam de intervenções constantes, pois aparentam não se incomodar com a situação. Há, ainda, alunos que não se interessam pelas atividades de Lição de Casa, vão deixando para mais tarde, e acabam sem tempo para fazê-la ou fazendo sem qualidade.
Poderíamos enumerar muitos outros desdobramentos destas situações geradas pela Lição de Casa, porém, o que foi apresentado até aqui, nos parece suficiente para justificar a necessidade de uma reflexão e uma re- significação de sua prática.
 
               PARA QUE SERVE A LIÇÃO DE CASA?
Em primeiro lugar, precisamos situar a Lição de Casa como  atividades que representam uma oportunidade de auto- aprendizagem, auto-conhecimento, de reflexão, expressão e crescimento pessoal do aluno. Para isto, é preciso repensar duas crenças arraigadas: a de que a tarefa de casa tem como objetivo que o aluno aprenda o que foi trabalhado em classe, fazendo exercícios repetitivos e mecânicos, ou seja, que aprendemos pela repetição; e a crença de que a obrigatoriedade da lição diária gera, por si só, a responsabilidade e o hábito de estudo.                                            
 Não aprendemos pela repetição mecânica e descontextualizada, mas  pelo significado que atribuímos ao conteúdo estudado, pela capacidade adquirida para poder compreendê-lo, pelo seu uso nas situações de vida,  pelo envolvimento que podemos ter com o objeto de estudo. O hábito de estudo, ou melhor, o gosto pelo estudo é adquirido quando o aluno experimenta o desejo de conhecer e o que isto lhe traz de crescimento pessoal.
Neste sentido, o professor tem a missão desafiadora que é despertar no aluno o desejo pelo conhecimento do mundo, do outro e de si mesmo. E quando falamos em desejo, falamos daquele sentimento que põe em movimento todo o corpo e todo o pensamento, portanto, não é só prazer, não é só aprender o que gosto. O desejo espanta a apatia e faz buscar, pesquisar, trabalhar, até que se consiga o conhecimento desejado e se experimenta a satisfação por aprender.
A Lição de Casa, assim como o trabalho realizado em sala de aula, deve servir a este propósito e, para isto, uma atitude é fundamental: que os adultos, pais e professores, estabeleçam uma relação com o conhecimento, que seja coerente com aquilo que esperamos da criança, ou seja, o desejo pelo conhecimento, o hábito de estudo e a leitura, também precisam estar presentes na vida das pessoas com as quais a criança convive.
A Lição de Casa como oportunidade de auto-conhecimento e reflexão é aquela que propõe ao aluno, de forma orientada, uma análise de sua aprendizagem diante de um determinado conteúdo, seja ele um conceito, um procedimento ou uma atitude. Este tipo de atividade deve proporcionar ao aluno perguntar-se sobre:
-         O que sei deste conteúdo?
-         O que ainda não consegui entender?
-         Que perguntas gostaria de fazer?
-         Que hipótese levanta sobre a minha dificuldade?
-         Que coisas estão interferindo na minha aprendizagem, ajudando ou atrapalhando?
-         O que espero como ajuda do meu professor?
Propor ao aluno que reflita  sobre estas questões e expresse seus sentimentos e sua percepção de como avalia seu processo de aprendizagem, poderá ser um instrumento mais eficaz de aprendizagem e favorecer a sua participação e protagonismo, do que simples exercícios de repetição.
  
           COMO DEVE SER A LIÇÃO DE CASA
Não há um único tipo de Lição de Casa que poderíamos escolher como a melhor. A diversidade de propostas é o que poderá beneficiar a todos os alunos.
Neste sentido, o professor deverá cuidar para que, ao planejar as tarefas de casa, apresente um repertório diversificado em habilidades e procedimentos importantes para o desenvolvimento do aluno. Esta diversidade inclui atividades em que o aluno possa, por exemplo, realizar leituras de diferentes tipos de textos (informativos, poéticos, jornalísticos...), com diferentes objetivos: coletar dados, conhecer um determinado assunto, aprofundar um tema estudado em sala de aula, apreciar um poema, conhecer um determinado autor, enfim, são inúmeras as possibilidades que, a partir da leitura, podemos desenvolver.                                                                                                                                             Para que a leitura não seja uma Lição de Casa desvalorizada, feita com um passar de olhos, é importante que o professor oriente, através de questões, os procedimentos de leitura necessários para que o aluno possa atingir os objetivos propostos. Dificilmente os objetivos serão alcançados se o enunciado da Lição de Casa se restringir a : “Leitura do texto XXXXXX”, ou se as questões propostas forem apenas para tratar o vocabulário desconhecido e verificar se o aluno compreendeu o que leu. As orientações de leitura devem chamar a atenção do aluno para habilidades que ele pode não ter adquirido ainda, ao ler um texto sozinho. Ter clareza, por exemplo, de porque está lendo aquele texto, pode mudar completamente a forma como vai ler e a sua busca diante do texto. Aprender a perceber a estrutura do texto, é outro exemplo de uma habilidade que, na maioria das vezes, os alunos ainda não conseguem analisar sozinhos. Assim, o professor orienta a reconhecer os recursos que o autor utilizou em um texto informativo, por exemplo, para introduzir o tema, para  desenvolvê-lo e como o conclui.
         Se a Lição de casa for um texto da literatura infanto-juvenil ou um texto poético, outros procedimentos poderão ser desenvolvidos, principalmente aqueles relacionados à criatividade, formas de expressão e posicionamento do aluno diante da leitura.
         Além da leitura, a Lição de Casa pode incluir a coleta de dados, atividades de criação, revisão e fixação. No caso da coleta de dados, preferimos utilizar este termo e não pesquisa, pois esta envolve habilidades e procedimentos que os alunos, nesta etapa da escolaridade ainda não adquiriram. A coleta de dados poderá ser feita através de entrevistas, desde que orientadas previamente em sala de aula, com questões construídas pelo professor e alunos. Quando a coleta envolve entrevista com outras pessoas, a orientação é que não seja solicitada de um dia para outro. No caso da coleta ser feita através de fonte escrita, o professor deverá oferecer a fonte. Quando a fonte não for disponibilizada ao aluno, a lição terá o caráter de contribuição e, portanto, não será exigida de todos os alunos.
       Além da diversidade de tipos de Lição de Casa, é importante que o professor esteja atento à necessidade de diversificar a quantidade e o grau de dificuldade que a lição oferece, tendo em vista o conhecimento que tem de seus alunos quanto ao ritmo de trabalho, autonomia e desenvolvimento cognitivo. Para todos os alunos a Lição de Casa poderá ser um desafio, mas sempre um desafio alcançável. Receber Lição de Casa diferenciada não será motivo de estranhamento se, na rotina da sala de aula,  a diversidade for trabalhada com respeito em todas as situações.
         Toda a Lição de Casa deverá ter um registro escrito, pois as propostas orais incidem, com mais facilidade, em esquecimentos e falta de compreensão.
          A qualidade da tarefa deverá ser avaliada tendo como referência alguns critérios:
-         apresentação gráfica (legibilidade, clareza, ilustração, topografia);
-         clareza e coerência nos enunciados;
-         propostas desafiadoras, mas que o aluno tenha condições de realizar sozinho;
-         diversidade de procedimentos envolvidos;
-         propostas contextualizadas;
-         diversidade de conteúdos;
-         atividades que possibilitem a sistematização, a fixação, a criação, a busca do conhecimento;
-         atividades que orientem o aluno a saber estudar;
-         atividades que proporcionam ao aluno a reflexão do seu próprio processo de aprendizagem;
-         atividades que propõem ao aluno criar propostas de Lição de Casa de acordo com a sua necessidade e desenvolvimento;
-         propostas que envolvem conceitos corretos e atualizados das diferentes disciplinas.
        Aprender a estudar também poderá ser uma atividade de Lição de Casa, desde que orientada pelo professor. Escrever na agenda: “estudar a tabuada”, ou “estudar tal assunto”, não será suficiente para que o aluno possa se beneficiar desta tarefa. Nesta fase da escolaridade, cabe ao professor ensinar diferentes possibilidades de como se estuda, inclusive propondo que os próprios alunos criem procedimentos de estudo e os socializem com os colegas. Saber estudar também se aprende, pois supõe a utilização de uma série de habilidades como leitura, síntese, análise, classificação, comparação e muitas outras, que necessitam ser explicitadas e trabalhadas com o aluno.           
          QUAL A PERIODICIDADE  E QUANTIDADE  DE   LIÇÃO DE CASA?
A Lição de Casa é proposta para todos os dias da semana. Os professores são orientados a não propor tarefa apenas para o final de semana. Isto, no entanto, não é lei. Há casos, por exemplo, em que o andamento do Projeto de classe necessita de dados e estes serão melhor coletados no final de semana. Neste caso, o bom senso e a flexibilidade deverão ser a referência de trabalho.
            Quanto à quantidade, não chegaremos a um consenso, visto que a sua adequação depende de alguns fatores que variam muito de uma criança para outra, como: rotina diária da casa; horário de levantar, dormir; solicitação de amigos e vizinhos para brincar; atividades esportivas e culturais; supervisão de adultos na organização da rotina; motivação para o estudo; autonomia para o trabalho, enfim, fatores que interferem na quantidade de tempo que a criança dispõe para realizar a tarefa de casa e na qualidade com que as realiza. Neste sentido, o ajuste necessário em relação à quantidade de Lição de Casa poderá ser feito a partir do conhecimento que o professor tem das competências de sua turma e de cada aluno em particular; do trabalho que realiza em sala de aula, no sentido de obter dos alunos dados sobre as condições em que realizam a Lição de Casa, sobre as dificuldades e facilidades encontradas; e da constante comunicação entre os pais e a escola sobre o desempenho da criança ao fazer as tarefas de casa.
            É possível, assim, estimar uma quantidade média de lição para cada ano /série, mas esta será apenas uma referência, sujeita a avaliações e ajustes constantes. 
                      A CORREÇÃO DA LIÇÃO DE CASA
            Toda a tarefa solicitada pelo professor deverá receber algum tipo de tratamento, que pode variar conforme o objetivo. Por exemplo:
-         Correção individual feita pelo professor: neste tipo de correção o professor avalia o trabalho de cada aluno com o objetivo de conhecer o que consegue fazer sozinho, sondar a situação da classe em relação ao conteúdo da lição, propor novas atividades, apontar para o aluno as revisões necessárias, e situá-lo em relação ao seu desempenho;
-         Correção coletiva feita pelo aluno com a mediação do professor e dos colegas: a correção coletiva tem como objetivo desenvolver no aluno a competência para a auto-correção orientada. Nesta correção o professor trabalha com a idéia de que podem existir várias maneiras de se resolver uma situação, de que não há, necessariamente, uma única resposta correta e com a idéia de que a socialização das respostas do grupo-classe poderá trazer contribuições para a resposta que elaborou individualmente. É uma correção que merece bastante atenção por parte do professor, pois não se trata apenas de conferir respostas, mas de capacitar o aluno a comparar respostas, verificando semelhanças e diferenças quanto ao conteúdo e forma de apresentá-las;
-         Correção feita em duplas de alunos, com posterior revisão do professor: esta forma de correção permite aos alunos uma troca efetiva sobre o trabalho realizado em casa. O professor pode orientar esta correção oferecendo, por exemplo, um roteiro de análise a partir do qual os alunos avaliam os seus próprios trabalhos e apontam o que deve ser revisto. Ao recolher a correção feita em duplas, o professor analisa, também, a capacidade de auto-correção da dupla e as intervenções necessárias;
-         Correção por amostragem feita pelo professor: a amostragem é um recurso que o professor pode utilizar em algumas tarefas, diminuindo a sobrecarga de atividades a serem corrigidas. Assim, com uma classe, por exemplo, de trinta alunos, poderá analisar o aprendizado de um determinado conteúdo, corrigindo atividades de seis alunos por dia. Ao final de uma semana, terá dados de cada aluno individualmente, e da classe como um todo. As atividades dos outros alunos poderão receber o tratamento da correção coletiva;
-         Correção feita por colegas monitores: quando o professor tiver como prática a monitoria de alunos, poderá recorrer a esta prática, desde que oriente e estabeleça com os alunos alguns parâmetros e procedimentos de correção. Poderá ainda combinar esta prática com a correção por amostragem, analisando a competência de cada aluno para este trabalho e a necessidade de intervenção;
-         Auto-correção: para tarefas mais objetivas, o professor poderá propor que os alunos exercitem a auto-correção, procedimento de extrema importância no processo de aprendizagem do aluno. Poderá, para isto, elaborar um roteiro de análise e/ou um gabarito, para que o aluno tenha condições de refletir sobre suas respostas, identificar possíveis erros e tentar refazer o que for necessário.
Em relação ao tipo de correção, a diversidade também é um fator favorável para o desenvolvimento de procedimentos de aprendizagem no aluno. A utilização de diferentes formas de correção poderá romper com a idéia de que o aluno faz a lição somente para o professor corrigir, estabelecendo assim uma relação mecânica e sem significado com o conhecimento. A relação democrática na sala de aula, o clima de confiança recíproca entre professor e alunos e a compreensão de que o erro é um caminho necessário para aprender, precisam ser intencionalmente construídos para que seja possível a realização e o tratamento da Lição de Casa  com mais sentido.
A tarefa de casa é apenas um dos aspectos da vida da sala de aula. Não se pode esperar que o aluno tenha espontaneamente atitudes desejadas frente à lição de casa, se a relação estabelecida no dia a dia da classe for autoritária e não houver espaço para a dúvida, para o erro, para a hipótese, para o pensamento divergente, para procedimentos diversos. A atitude do professor diante do conhecimento do aluno, daquilo que ele foi capaz de elaborar sozinho, terá uma influência decisiva na sua segurança para ousar, arriscar, pensar, buscar procedimentos pessoais de resolução de situações.
Ainda com relação à correção, é preciso salientar a importância do compromisso que deve ser estabelecido entre professor e alunos sobre a Lição de Casa. Este compromisso deverá ser trabalhado diariamente, a partir de atitudes e regras claras. Por exemplo, se a tarefa foi combinada para determinado dia, tanto o professor, como o aluno, devem assumir este compromisso. Cabe ao professor organizar a rotina da aula daquele dia, para que a lição receba o tratamento adequado e o trabalho do aluno seja valorizado. O aluno deverá ter clareza das conseqüências, em seu desempenho, sobre o fato de não cumprir as tarefas. Cabe ainda, ao professor, fazer devolutivas sobre a qualidade do trabalho do aluno, de forma clara e acessível e com prazos razoáveis. Não faz muito sentido o aluno receber a correção da lição de casa, três ou quatro semanas depois.
De forma coerente com o processo de avaliação assumido pela Escola, a devolutiva de avaliação do trabalho do aluno deverá ser feita através de comentários escritos ou orais, com o objetivo de situar o aluno sobre o seu desempenho e auxiliá-lo, se for o caso,  a rever seus procedimentos. Notações numéricas ou com letras não fazem parte da avaliação dos Ciclos I e II da Escola. Conceitos como Bom, Muito Bom, Médio, Fraco, não trazem ao aluno informação suficiente para que possa melhorar o trabalho. Apenas classificam o desempenho do aluno, sem que este tenha a oportunidade de aprender a partir da intervenção do professor.
 
  O ALUNO QUE NÃO FAZ A LIÇÃO DE CASA
 Não podemos estabelecer condutas generalizadas diante do fato de alunos que não fazem a Lição de Casa. Cada caso deverá ser analisado pelo professor juntamente com a coordenação e, a partir desta análise, as condutas deverão ser estabelecidas e acordadas entre a Escola , a família e a criança.
No entanto, algumas atitudes são fundamentais nesta situação e o trabalho diário deverá contribuir para que o aluno:
-         Tenha clareza quanto à importância da responsabilidade com a Lição de Casa;
-         Perceba que a falta da lição compromete o seu trabalho em sala de aula;
-         Assuma as conseqüências da lição não feita e se comprometa em reverter a situação;
-         Tenha dados precisos, semanalmente, sobre a quantidade de lições que deixou de fazer e reflita sobre os motivos que o levaram a isto.
Quanto ao professor, é preciso todo o cuidado para que suas atitudes frente ao compromisso da lição de casa não oscilem entre os extremos, ou seja, ora agindo de maneira permissiva, adiando prazos, não deixando claro para o aluno como a falta da tarefa compromete o seu desempenho e desenvolvimento, não tendo formas eficazes de organização na classe para verificar quais alunos fizeram a tarefa, não se organizando para que na rotina do dia a tarefa receba o tratamento adequado; ora agindo de maneira autoritária, comentando  com o aluno de forma a provocar constrangimento diante dos colegas, não abrindo espaço para ouvir os motivos que o aluno teve para não realizar a tarefa.
A responsabilidade com a Lição de Casa é uma atitude a ser desenvolvida no aluno. No entanto, nem o descaso com a tarefa, nem a excessiva preocupação devem estar presentes. O professor deverá cuidar e agir coerentemente, para que o aluno perceba a diferença entre não fazer a lição ou parte dela, porque tentou, mas não conseguiu, trazendo assim as suas dúvidas para a sala de aula, e não trazer a lição por motivos que demonstram descompromisso.
           A LIÇÃO DE CASA NA ROTINA DO DIA
Para que a tarefa de casa tenha a atenção e o tratamento adequados, é preciso que o professor planeje a agenda do dia de tal forma que tenha tempo suficiente para:
-         conversar com os alunos sobre a proposta da lição de casa, esclarecendo possíveis dúvidas com o vocabulário, enunciados, procedimentos, enfim, antecipando dificuldades que possam surgir. Para isto, é importante que o professor apresente a lição, peça para os alunos lerem individualmente e levantarem dúvidas, que serão compartilhadas com a classe. O professor, com o conhecimento que tem de seus alunos, deve estar atento para que todos  participem deste momento;
-         os alunos registrarem a Lição de Casa na agenda e o professor verificar se todos anotaram adequadamente. São atitudes de organização que parecem sem muita importância, mas que podem ajudar o aluno;
-         distribuir a Lição de Casa, de tal forma que o professor tenha certeza de que todos recebam e de que os ausentes terão suas tarefas guardadas. A mesma organização deverá acontecer na hora de recolher a Lição de Casa, tendo controle sobre quem entregou ou não, para que possa intervir. Estes momentos deverão acontecer com a classe em silêncio e com todos em seus lugares, sentados;
-         dar o tratamento adequado para a Lição de Casa, seja apenas recolhendo para uma avaliação individual ou retomando no coletivo da sala. Mesmo que seja somente para recolher, é importante o professor ouvir os alunos sobre as dúvidas, dificuldades, enfim questões que trazem sobre a realização da tarefa em casa. Se a tarefa foi uma coleta de dados ou uma outra contribuição e o tempo não der para todos os alunos apresentarem no mesmo dia, o professor deverá, pelo menos, tomar conhecimento da contribuição de cada um e organizar com a classe todas as apresentações para o dia seguinte;
-         os alunos receberem a Lição de Casa corrigida, com as considerações do professor e terem o tempo em sala de aula, sob supervisão do professor, para realizar as revisões sugeridas e arquivarem a lição adequadamente.
              A LIÇÃO DE CASA E A FAMÍLIA
A pergunta mais freqüente dos pais é se devem ajudar na Lição de Casa e, se sim, como devem fazê-lo.
Não há uma resposta absoluta para esta questão, pois depende de vários fatores que analisaremos a seguir.
Em primeiro lugar, vamos considerar que a relação que o aluno estabelece com o conhecimento depende, em grande parte, da relação que os adultos, com os quais convive, têm com o conhecimento. Desta forma, compartilhar na família, experiências de conhecimentos trará contribuições importantes para o desenvolvimento intelectual de todos. Adultos que compartilham com a criança a leitura de um livro, comentam informações de jornais ou revistas, expõem idéias sobre um tema de interesse, conversam sobre idéias e sentimentos acerca de um filme, por exemplo, sem dúvida, fazem toda a diferença no seu  desenvolvimento. Com a Lição de Casa e com qualquer outra atividade escolar, não será diferente. Adultos que se interessam por aquilo que a criança está aprendendo na escola, comentando o que sabem a respeito, disponibilizando fontes de informações, trarão contribuições importantes no desempenho escolar do aluno.
No entanto, interessar-se não significa assumir para si a obrigação de ensinar à criança, conceitos e procedimentos que são da competência da escola. Os adultos não estão proibidos de compartilhar o conhecimento trabalhado na escola com as crianças, mas também não devem se sentir obrigados a fazê-lo.
Quando a criança solicita muita ajuda para realizar a tarefa de casa, os pais devem comunicar a escola para que os motivos sejam analisados. A experiência tem mostrado que, na maioria das vezes, a criança pede ajuda porque tem medo de errar e não suporta a idéia de expor  isto ao professor e aos colegas de classe. Ainda não consegue perceber que a tarefa será valorizada pela sua disponibilidade de pensar e buscar soluções com autonomia e não só por apresentar respostas corretas.
A análise desta situação inclui tanto  a percepção das práticas e atitudes dos professores e colegas diante do erro ou hipótese da criança, como a percepção dos sentimentos da criança em relação à sua auto-exigência, ou, às vezes, à exigência da família quanto ao desempenho da criança.
A comunicação entre a família e escola é a melhor opção para as dúvidas e dificuldades relacionadas à Lição de Casa, pois cada situação envolve soluções diferenciadas. Há crianças, por exemplo, que a própria escola sugere o acompanhamento de um especialista para a realização da tarefa de casa. Outras, a escola pede para que os pais não interfiram, pois poderão confundir a criança, como é o caso, por exemplo, quando adultos fazem intervenções na escrita da  criança quando ela ainda não está alfabética, ou quando tentam ensinar o algoritmo de uma operação quando ela ainda não possui o seu conceito.
Em relação, ainda, à participação dos pais nas tarefas de casa, a orientação da Escola é que não façam pela criança aquilo que ela tem condições de realizar sozinha, mesmo que o produto não corresponda à expectativa dos adultos. Há situações, por exemplo, em que as crianças preparam cartazes, maquetes, para a apresentação do seu Projeto Individual e que são feitos por adultos. Ou então, quando o professor pede uma coleta de dados, que deve ser bem pontual e orientada, e o aluno traz folhas e mais folhas retiradas da Internet, sem significado para ele.
A Lição de Casa deverá permitir ao aluno desenvolver a sua autonomia para aprender. Os adultos contribuirão para isto, na medida em que deixarem as crianças experimentarem aquilo que conseguem fazer sozinhas, e só então, receberem a ajuda necessária.
Com relação à família, ainda, a escola deverá cuidar para que não haja excesso de solicitação. Eventualmente, os pais e parentes podem ser fonte de dados, emitindo opiniões, dando depoimentos, fazendo comentários à respeito de um tema que está sendo trabalhado em classe, porém, isto não deverá ocorrer com freqüência, pois sabemos que nem todos têm a mesma disponibilidade de tempo, podendo trazer constrangimento ao aluno.

            Finalizando estas considerações sobre Lição de Casa, saliento a importância do professor dialogar diariamente com seus alunos sobre todas as questões acima expostas. As suas intenções e expectativas, normalmente, não são compartilhadas explicitamente com os alunos. Os alunos, por sua vez, também precisam falar sobre como se sentem diante da tarefa de casa. Isto tudo dá trabalho, gasta muito tempo, mas como diz Madalena Freire, “...aprender não é espontâneo nem natural. Em certo sentido, aprender dói, pois se dá no trabalho com a ignorância. É um confronto com a falta, com o limite, com o desejo. Muita gente imagina, nos desvios do construtivismo, que aprender tem de ser gostoso, prazeroso, lúdico... Não é nada disso: dói. Não é a dor eterna, mas a dor do início da construção da disciplina intelectual. O prazer só vem depois... 

18/05/2010  E se as crianças pudessem ler para os adultos, o que ac - Por Alberto Filho

 

E se as crianças pudessem ler para os adultos, o que aconteceria...?
 
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Uma Atividade Mágica para Cultivar o Hábito da Leitura em seu filho  
 
 
O primeiro passo é conversar com a criança e descobrir seu gosto literário. Gosto literário aqui significa, saber de que tipo de história ela mais gosta.
 
Feito isso, provoque ela à leitura. Isto é feito do seguinte modo: Primeiro leia você mesmo um livro, sobre o assunto do qual ela gosta. Deixe que ela veja você lendo. Se fizer isso sutilmente, será melhor ainda. Não tente chamar atenção para o fato de estar lendo, especialmente se você não tem o hábito de ler regularmente, pois ela pode perceber o artifício e estragar a tática.
 
Se o adulto é do tipo que gosta de ler e ela já sabe disso, então pode agir de forma natural. Ao ler o livro, procure demonstrar as emoções que sente a partir do que está lendo. Isto é, ria, faça comentários baixinho como se estivesse falando sózinho etc., Isso vai deixá-la bastante curiosa.
 
Ao perceber que você gosta da mesma coisa que ela, sua auto-confiança, vai receber uma enorme injeção de ânimo. Imagine só, um adulto que gosta do mesmo que eu - pensará ela - e sem ninguém pedir para que ele fizesse isso!
 
Quando terminar de ler, não lhe ofereça o livrinho. Ao invés disso, coloque-o em lugar visível, converse com ela sobre outros assuntos, e finalmente sobre histórias do tema que ela prefere; então comente sobre o que acabou de ler. Como isso é feito por partes, a pressa pode estragar tudo. Assim, em outra ocasião, diga que comprou um livro para ela ver, e que é muito bom.
 
Importante: Em momento algum a obrigue a ler. Dê-lhe o livrinho e pronto. Pode ser que no primeiro contato, ela apenas vá folhear as páginas para explorar o terreno onde vai pisar.
 
Aqui vale uma interrupção para algumas observações importantes, que vão determinar o sucesso ou o fracasso do seu plano. Veja bem, não é que "pode determinar", é que "vai determinar".
 
Toda criança, com raras exceções, gosta de livrinhos com:
 
 
Desenhos bem feitos. Tem que ser desenhos ou ilustrações; elas acham fotografias deprimentes e sóbrias demais para seu mundo, pode até ser uma fuga da realidade, mas é assim, e nesse momento não adianta entender porque. Saiba apenas que fotos para elas são menos interessantes que ilustrações.
 
 
Os desenhos ou ilustrações devem refletir claramente o que está no texto que ela está lendo, para que possa associar o mesmo com a idéia visual da situação, já que ela sozinha ainda é incapaz de fazer isso, e ainda está construindo associações de palavras com imagens.
 
 
Folhas com pouco texto.
Texto claro, de preferência com palavras que ela já conheça (isso não é obrigatório).
 
 Assim, é chegado o momento de você agir. De posse do livro, após tê-lo folheado, use então o argumento mágico.
 
PEÇA QUE ELA LEIA O LIVRINHO DELA PARA VOCÊ!
 
Ao pedir isso, demonstre que tem total confiança nela (isso se consegue com a entonação certa da voz, tom firme, normal, como se fosse a coisa mais natural do mundo, sem titubear). Diga também que tem interesse no livro. Nesse ponto, toda insegurança comum na criança, ao oferecer ou compartilhar alguma coisa com os adultos, tende a sumir.
 
Durante a leitura, se quiser, você pode interromper para fazer algum comentário com relação a história. Também, antes de começar, diga-lhe que se tiver alguma dúvida sobre o significado das palavras, que pergunte; ou melhor, use seu bom senso e faça comentários complementares sem que ela peça, ao menos sobre aquelas que você julgue mais apropriadas, e até como uma forma de enriquecer o texto. É importante que você saiba, que ela só vai perguntar se confiar em você, ou se você tiver lhe dado autorização explicíta para fazer isso. Está feito então, ela está pronta e sem mais nenhuma inibição.
 
Finalmente, seja paciente e nunca a corrija, diga apenas que não entendeu direito, algum parágrafo, etc. Nesse caso, você pode pedir que ela comente o que entendeu... Pode ser que durante a leitura ela baixe um pouco a voz o que é normal. Peça, sem mandar, com muito humor e gentileza, que ela fale um pouco mais alto. Isso, só vai significar para ela que você está de fato interessado na leitura, e sua motivação aumentará ainda mais.
 
Ao perceber que ela está cansada, peça para fazer uma pausa. Os sintomas de cansaço são: mudança constante na posição, olhadas sutis para o lado, tentativa de deitar no chão, etc.
 
Por fim, comente com ela a história que foi lida. É provável que ela não tenha entendido bem o conto, já que apenas crianças maiores, conseguem ler para os outros e prestar atenção no que estão lendo.
Diga que a história foi muito boa, que você gostou, e lhe dê a sugestão de que ela deve ler quando estiver com vontade.
 
Mesmo que ela não aceite na hora, o que é mais provável, deixe o livro em local visível e acessível, e incite-a outras vezes para que leia, sem forçar ou exigir. Faça isso em tom de comentário.
 
É importante que você saiba que, ao pedir para ela ler, você lhe deu confiança; confiou a ela uma tarefa de gente grande, e gostou do que ela fez; isso a fez se sentir importante. Melhor de tudo, essa é a impressão que ela terá de você a partir daí.
 
Os efeitos benéficos disso para sua personalidade são definitivos. Assim, a semente do hábito da leitura foi plantada de forma simples, natural, sem as pressões da obrigação, em clima de harmonia, como tudo que é verdadeiro deve ser.
 
Um último aviso: Peça que leia para você outras vezes. Dê-lhe mais livros, valorize e incentive a sugestão dela; acompanhe-a na hora de comprar ou escolher o livro.
18/05/2010  Sem decoreba - Por Roberta De Lucca
 
 
 
 
Família e escola têm que trabalhar juntas quando o assunto é educação e formação social
 
A didática contemporânea enterrou as aulas "autômatas" nas escolas e hoje ensina os alunos a pensar e a desenvolver o senso crítico.

Tudo ao mesmo tempo agora. Essa é expressão da nova ordem social, que traça um panorama no qual saber escolher e avaliar o que é importante é um trunfo de sobrevivência. Para os adultos, pode parecer mais fácil optar por isso ou aquilo, mas como uma criança ou adolescente pode avaliar o que vai contribuir para sua vida? A resposta a perguntas tão específicas está na ajuda dos pais em abrir a mente ao discernimento - e também na escola, que desempenha o mesmo papel. 

Hoje, as instituições de ensino participam ativamente do desenvolvimento das regras de vida e aprendizado. Não basta mais fazer um cartaz com fotografias recortadas de revistas para comemorar o Dia do Índio. A escola deve ensinar o aluno a entender e refletir sobre os problemas dos índios de maneira global. E essa compreensão, de que a instituição de ensino deve abordar os temas de forma mais analítica e integral, atinge muito mais áreas do que antes. Saúde, sexualidade, ética, tecnologia e questões ambientais, por exemplo, conquistaram espaço na classe e envolvem discussões que nada têm a ver com as de 15 ou 20 anos atrás.

 

18/05/2010  Educação Infantil - Por Valter Roberto Silvério

 

Identidade, Autonomia e Diversidade na Educação Infantil

O sentimento de pertencer a um grupo, de ser uma pessoa importante e querida, a percepção crescente da capacidade de aprender, são aspectos fundamentais da formação dos pequenos.
A primeira etapa da vida escolar da criança visa formar estreitos vínculos com professores, funcionários e todas as situações de aprendizagem.
As crianças compartilham um conjunto de situações regulares que envolvem ações estruturantes para o seu bem estar na escola e para a construção de valores significativos na interação social como a autonomia, a identidade, a diversidade e a cooperação.
A construção da identidade e autonomia refere-se ao progressivo conhecimento que as crianças vão adquirindo de si mesmas, à autoimagem, que através desse conhecimento vai se configurando, e à capacidade para utilizar recursos pessoais de que disponha a cada momento.
O convívio cotidiano é a forma mais eficaz de trabalhar comportamentos e atitudes. Para que saibam lidar com as diferenças, com sensibilidade e equilíbrio, é preciso a familiarização, valorizando as diversas raças, gêneros e pessoas com deficiência.
Trabalhar as questões da diversidade, construindo identidades raciais positivas, estimulando o respeito às diferenças é fundamental.
A participação na realização de pequenas tarefas do cotidiano, que envolvam ações de cooperação, solidariedade e ajuda aos outros, utilizando regras elementares do convívio social e respeito a elas, também é de grande importância para desenvolvimento da criança.
Deve-se valorizar o diálogo como forma de lidar com os conflitos, trabalhando o controle progressivo de suas necessidades, desejos e situações cotidianas através do respeito mútuo, favorecendo, nas crianças, a oportunidade de ampliar sua autoestima, de valorizarem ações de cooperação e solidariedade, de adquirir hábitos de autocuidado e de respeitarem regras de convívio social.

 

18/05/2010  Relação Pais e Filhos - Por Caio Feijó

 

A Qualidade da Relação Pais / Filhos
 
 A minha experiência pessoal, clínica e escolar no atendimento a adolescentes tem mostrado uma estreita relação dos comportamentos dos pais com os comportamentos dos filhos, confirmando uma vasta teoria a respeito de ser a família a grande responsável pelas características comportamentais de seus filhos.
 
Volta e meia recebo no consultório, adolescentes trazidos por seus pais com queixas como: “Doutor, esse menino está impossível, não me respeita mais, vai mal na escola, só quer saber de festa, tem bebido e fumado, acho que está usando drogas, sai com más
companhias,......” – Na entrevista com o adolescente, muitas vezes os relatos são : “Comigo está tudo bem, o problema são meus pais que não me ouvem e muito menos me compreendem”. – Na escola quando me encaminham alunos com problemas disciplinares, o quadro invariavelmente se repete; ou o aluno faz na escola o que está acostumado a fazer em casa, ou o que é impedido por ameaça ou punição dos pais de fazer, então usa a escola e os professores como válvula de escape para a sua revolta.
 
Na maioria das vezes o diagnóstico fica estreitamente relacionado com a qualidade
da relação entre os pais e o filho, e o prognóstico, sujeito a alterações das ditas relações, o que significa a necessidade da participação ativa dos pais no processo.
 Seguramente posso enumerar sete pontos básicos responsáveis pela boa ou máqualidade da relação entre pais e filhos, e direciono a você, pai ou mãe que está lendo este artigo, em forma de perguntas a serem respondidas:
 
1) REFERÊNCIA FAMILIAR
Que exemplos você oferece?
O que você exige do seu filho, ele tem em você?
 
2) INFORMAÇÃO / COMUNICAÇÃO
Você é uma pessoa bem informada?
Oferece um bom nível de informação ao seu filho?
Conversa e se comunica com ele?
 
3) RESPEITO ÀS INDIVIDUALIDADES
Você reconhece seu filho como um ser independente?
Aceita-o como alguém que tem o direito de ter gostos e interesses diferentes dosseus ?
 
4) ADAPTAÇÃO ÀS MUDANÇAS
Você consegue compreender a evolução das gerações?
Compreende que aquilo que era incomum no seu tempo hoje pode ser normal?
 
5) PARTICIPAÇÃO ATIVA
Você conhece e acompanha as principais atividades do seu filho no dia-a-dia dele? A Qualidade da Relação Pais / Filhos
 
Envolve-se com verdadeiro interesse nas questões da escola, lazer e amigos?
 
6) AFETO, ATENÇÃO E CONFIANÇA
Você toca-o? Abraça-o? Beija-o sempre?
Valoriza as boas iniciativas dele?
Seu filho tem sua atenção suficientemente?
Ele conta com você como confidente e cúmplice?
Você está presente nos momentos mais importantes da vida dele?
 
7) ESTABELECIMENTO DE LIMITES
Seu filho compreende a sua função de educador e que não existe liberdade sem
responsabilidade?
Você tem bem claro os momentos de ser amigo e os de impor limites?
 
 
Certamente as suas respostas a essas questões são as respostas que justificam a
qualidade da atual relação sua com o seu filho. Se foram na maioria, respostas positivas,
vocês se dão muito bem e seu filho é uma pessoa equilibrada, corretamente inserida no
contexto social, querida pelos amigos e professores. Porém, caso você tenha se
surpreendido de alguma forma com algumas respostas negativas às perguntas não se
assuste, nós, pais e mães somos assim mesmo, muitas vezes pensando em dar segurança e oferecer o melhor para os nossos filhos, fazemos por eles, decidimos por eles. Em outras ocasiões, por deficiência na comunicação, não o compreendemos, não lhe damos a necessária atenção quando estamos excessivamente envolvidos com o nosso trabalho, e até não paramos para avaliar as mudanças culturais ocorridas desde que fomos adolescentes e aí achamos que as soluções de hoje devem ser as mesmas do “nosso tempo”.
 
Ninguém fez curso para ser pai ou mãe. Nós utilizamo-nos da nossa experiência enquanto “filhos” para sermos “pais”, assim, estaremos sempre sujeitos a cometer erros, é comum. O que importa é estar aberto para olhar as distorções que ocorreram no período e buscar meios de minimizá-las. A interrelação pessoal exige o cultivo permanente, ou seja:
“nós colhemos o que plantamos”.
 
Deixo para a sua reflexão a frase de Fco. Xavier:
 
“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer umpode recomeçar agora e fazer um novo final”.

 

21/04/2010  um bom aluno tem que fazer as tarefas sozinhos - Por emily cristina ghiggi

eu concordo que um bom aluno tenha que fazer as tarefas sozinhos ,porque eu estudo no colegio a 4 anos e sempre fiz minhas tarefas sozinha.

E sempre que estava errada eu apresto atençao na correçao .

aluna :emily ghiggi

26/03/2010  Bons alunos fazem lição sozinhos - Por Harris Cooper

O psicólogo americano diz que há o jeito certo para os pais acompanharem a lição dos filhos e dá dicas de como evitar que a hora do dever vire um transtorno

O professor Harris Cooper, do Departamento de Psicologia e Neurociência da Duke University, nos Estados Unidos, é especialista em lição de casa. Ele estuda o assunto há mais de 20 anos, analisando qual é o impacto que um dever de casa benfeito tem no desempenho escolar do aluno. É significativo. Mas o efeito só será positivo se os pais se envolverem – e da maneira certa. O papel da família se limita a monitorar e dar o exemplo. Fornecer respostas prontas ou ensinar a matéria para os filhos pode ser pior do que não fazer nada.

ÉPOCA – Por que o envolvimento dos pais na lição de casa faz diferença no desempenho escolar dos filhos?
Harris Cooper – Porque é o melhor momento de mostrar para os filhos quanto a escola é importante. Se os pais são participativos e têm atitude positiva em relação ao dever de casa, muito provavelmente a criança terá a mesma atitude em relação ao aprendizado. Se a atitude for negativa, poderá até gerar atritos com a escola.

ÉPOCA – Em suas pesquisas, a lição de casa aparece, muitas vezes, como um campo de atrito entre pais e escola. Por quê?
Cooper – Isso pode acontecer quando a lição vira um transtorno para os pais, que precisam mudar sua agenda para acompanhar o dever dos filhos. E quando a execução da lição de casa envolve os pais de tal forma que passa a ser total responsabilidade deles que aquela lição seja executada. Por isso a escola precisa prestar atenção ao envolver os pais na lição de casa. É preciso levar em conta que muitos deles não têm tempo para uma participação mais direta. Ou que podem ter falhas na educação que os impeçam de fazer o papel de mentores.

ÉPOCA – Existe uma lista de boas práticas para os pais que acompanham a lição de casa dos filhos?
Cooper – O principal é ter em mente que, a menos que venha um pedido específico da escola, o papel da família na lição de casa é monitorar a criança e dar condições para que ela faça o que é preciso ser feito em um lugar e um horário adequados. Ajude na pesquisa fornecendo um livro, tire uma dúvida. E sirva de exemplo. Se seu filho estiver fazendo a lição, desligue a TV.

ÉPOCA – O que mais atrapalha?
Cooper – Fazer a lição pelo filho. Sabemos que os melhores alunos fazem a lição de casa sozinhos. O dever é uma excelente oportunidade para o aluno desenvolver habilidades de aprendizado. O envolvimento dos pais em excesso pode atrapalhar.

ÉPOCA – O que mudou na relação escola-família nos últimos anos?
Cooper – Em relação à eficiência do envolvimento dos pais, pouca coisa. A maior novidade nessa relação talvez seja a introdução da internet. Cada vez mais escolas usam e-mails e websites como canal de comunicação com os pais para deixá-los atualizados sobre a vida escolar dos filhos.

ÉPOCA – Isso é bom ou ruim?
Cooper – O lado bom é que com a internet a comunicação ficou mais rápida e fácil. Na maioria das vezes, a web consegue aproximar a família da escola. O ruim é que ainda não conseguimos garantir acesso à web para todos, e alguns pais acabam excluídos.
As 4 regras de um bom dever de casa
1. O dever é da criança, não dos pais
Ela deve ser capaz de fazê-lo sozinha. Isso não quer dizer que ela deva se sentir sozinha. Orientações – sem exagero – são bem-vindas
2. Os pais devem acompanhar
Dar o exemplo estimula o aluno. O pai ou a mãe podem ler um livro no mesmo momento que o filho lê. Se for o mesmo livro, e daí surgirem discussões, melhor. Se a lição for de matemática, o adulto poderá aproveitar para fazer as contas da casa
3. É para se esforçar, não para arrancar os cabelos
Se a criança está esgotada, é melhor parar e retomar o exercício em outra hora, de cabeça fresca. Senão, pode ficar com raiva da tarefa, da escola, dos pais... e criar resistência à disciplina
4. A rotina ajuda
Para acabar com o problema de sempre deixar o dever para a última hora, é bom estabelecer um horário regular para o dever. Ter um cantinho para estudar também ajuda na organização e concentração do aluno

Revista Época Março/2010 com o professor Harris Cooper

20/09/2009  Como não praticar o bullyng - Por Isabelle

 

O bullyng quer dizer:expulsão de alguem e ficar fazendo "panelinhas"....O bullyng pode ser evitado das seguintes maneiras:

a)Não deixando a(o) amiga(o) de lado

b)Não fazendo panelinhas

c)Não fazendo brincadeirinhas sem graça com os amigos

não faça mais isso ok?

Favor passar para a Silvia e (ou) a Professora Leoni

obrigada

11/09/2009  Pedidos de um filho - Por Autor desconhecido

 

REFLEXÃO
 
Pedidos de um filho

1.Pai, não me dê tudo que peço.Às vezes peço somente para obter, para compensar, para chamar sua atenção.
2.Não me dê ordens. Se ao invés de ordens me pedisse as coisas com firmeza e carinho eu as faria rapidamente e com muito mais alegria.
3.Não me faças promessas. Se me prometer, cumpra as boas e más promessas. Se me prometer um prêmio, dê-me, mas também me dê o castigo, se prometido.
4.Não me corrijas as faltas diante dos outros, ensina-me a ser melhor quando estivermos sozinhos e com seu exemplo.
5.Não me compare com ninguém, principalmente com meu irmão ou irmã. Se me fizer sentir pior que os outros eu sofrerei muito mais.
6.Não grite comigo.Respeito-o mais quando você fala comigo e não me força a gritar também.
7.Deixe-me andar com meus próprios pés,ter minhas próprias emoções. Se você fizer tudo por mim, eu jamais terei a alegria de poder aprender.
8.Quando estiver enganado em alguma coisa, admita-o, pois crescerá muito mais a minha estima por você, e isso me ensinará a reconhecer meus próprios erros.
9.Trata-me com a mesma amabilidade e cordialidade com que trata seus amigos, assim aprenderei com você o valor do respeito e da amizade.
10.Quando eu estiver atravessando momentos difíceis, ajude-me.Tente me compreender. Demonstre o seu amor por mim. Gosto de sentir que sou amado. Preciso de segurança para crescer. Atenda meus pedidos, pois só assim serei capaz de ser feliz.
07/08/2009  Lição de casa para os pais

Pesquisas mostram que nada é tão decisivo para um bom desempenho escolar quanto o incentivo dos pais para os estudos. Já se sabe até como eles podem dar esse empurrão

Monica Weinberg e Marana Borges (Revista Veja Edição 2124 / 5 de agosto de 2009)


A volta às aulas traz à tona uma das questões mais incômodas para pais de estudantes em todos os níveis de ensino: como ajudar a despertar nos filhos a curiosidade intelectual e fazê-los cultivar o apreço pelo estudo? Para tarefa tão complexa, não existe uma fórmula mágica que, aplicada à risca pela família, resultará num aluno exemplar. A excelência, afinal, é produto de muitas variáveis, tais como o talento individual e os estímulos providos pela própria escola – e não apenas de um ambiente favorável ao aprendizado em casa. O que já se sabe, no entanto, é que a participação dos pais é fundamental, se não decisiva, para um bom rendimento escolar. "Nenhum outro fator tem tanto impacto para o progresso de um aluno quanto a interferência adequada da família. E isso se faz sentir, positivamente, por toda a vida adulta", diz o economista Naércio Menezes, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e autor de um recente trabalho sobre o assunto no Brasil. O conjunto de medidas que surtem resultado, uma vez adotadas com persistência em casa, chama atenção pela simplicidade. Apenas incentivar o filho a fazer a lição de casa e a ir à escola todos os dias, providenciar um lugar tranquilo onde ele possa estudar e comparecer às reuniões de pais tem o efeito de elevar as notas em torno de 15%, segundo a pesquisa do Insper.

As boas práticas que se originam desse e de outros estudos (listadas abaixo) não fogem muito do que sugere o senso comum. Tome-se o exemplo da lição de casa. Muitos pais se angustiam porque não têm a menor ideia de como responder a dúvidas de matemática ou física. Mesmo quando dominam um assunto, ficam na dúvida: até que ponto prestar ajuda quando são requisitados? Na verdade, tudo o que é necessário é incentivar uma leitura mais atenta do enunciado, indicar fontes de pesquisa ou estimular uma nova reflexão sobre o problema. Jamais dar a resposta certa, procedimento cuja repetição está associada à queda no rendimento do aluno. "Participação exagerada só atrapalha. A independência nos estudos deve ser cultivada, e não tolhida", diz Maria Inês Fini, doutora em educação. Os especialistas concordam que não cabe aos pais agir como professores em casa – confusão comum, e sem nenhum reflexo positivo. O que sempre ajuda, aí sim, é demonstrar, desde cedo e de forma bem concreta, quanto se valoriza a educação, essa talvez a maior contribuição possível da família. Daí a relevância de montar uma biblioteca em casa ou de manter o hábito de conversar com os filhos sobre o que se passa na escola. De acordo com uma recente compilação de 29 estudos sobre o tema, esse tipo de ambiente se traduz numa série de indicadores positivos, como mais vontade de ir à aula, um comportamento melhor na escola e expectativas mais elevadas sobre o futuro.

Os pais brasileiros estão longe de figurar entre os mais participativos na rotina escolar. Enquanto nos países da OCDE (organização que reúne os países mais ricos) 64% deles se dizem atuantes, no Brasil esse dado costuma variar entre 20% e 30%, dependendo de quem dá o número. Parte do flagrante desinteresse se deve à baixa escolaridade de uma enorme parcela dos pais, que não permaneceu na escola tempo suficiente para aprender a ler, tampouco para consolidar o hábito do estudo de modo a passá-lo adiante. "Quase não estudei na vida e sempre tive muita dificuldade para ajudar o meu filho nisso", diz a cearense Maria de Fátima Lima, 40 anos, que deixou a escola na 2ª série do ensino fundamental e é mãe de Mailson, de 9 anos. Mas isso não explica tudo. A experiência dos colégios particulares também aponta para a distância dos pais. Uma das razões remete ao fato de a educação no Brasil ainda não ser vista como artigo prioritário – inclusive nas classes mais altas. Em uma nova pesquisa da consultoria Nielsen, a educação aparece em quinto lugar entre as maiores preocupações dos brasileiros. Vem atrás de estabilidade no emprego, equilíbrio entre trabalho e lazer, pagamento de dívidas e a economia do país.

Outra explicação para a distância que separa os pais da vida escolar está numa ideia incrustada no pensamento do brasileiro: a de que a escola deve se encarregar, sozinha, do processo educativo. Essa é a visão predominante na América Latina e oposta à que impera nos Estados Unidos ou em países asiáticos. "Os pais fazem fila na porta da minha sala para saber como vão seus filhos", relata Soleiman Dias, professor brasileiro que há sete anos dá aulas na Coreia do Sul. Essa atividade lhe consome uma hora por dia. Nada parecido com o que se vê na maioria das escolas brasileiras. "Em países mais dependentes do estado, como o Brasil, a tendência é terceirizar responsabilidades", diz o economista Claudio de Moura Castro, articulista de VEJA e especialista em educação. "É o que fazem as famílias brasileiras ao esperar que todas as iniciativas partam da escola." A esse caldo cultural somam-se ainda os efeitos do que se seguiu aos anos 60. A partir daí, inicia-se no Brasil um forte processo de contestação à noção de hierarquia, tendo como pano de fundo a escalada dos movimentos estudantis e a contracultura. Na relação entre pais e filhos, o conceito de liberdade passou a ser confundido com permissividade. Avalia Tania Zagury, educadora e autora do livro Escola sem Conflito: Parceria com os Pais: "A inabilidade das famílias em estabelecer limites em casa faz com que deleguem à escola tarefas que deveriam ser delas também".

Os efeitos são desastrosos. A pressão exercida sobre a escola não leva a nenhum ganho para os alunos. "Existe aquele perfil de pai que só se preocupa com a nota do filho e chega aqui dizendo: ‘Eu pago por esse serviço e quero um retorno’", conta Sílvio Barini, diretor do São Domingos, colégio particular de São Paulo. "Ele não faz a sua parte e espera da escola soluções milagrosas." Não é, no entanto, a reação mais comum ali. A participação das famílias no colégio se tornou relativamente alta de dois anos para cá, com a presença dos pais num conselho que, entre outras coisas, toma decisões sobre o orçamento e trata das questões do ensino. O sistema, implantado nos anos 90, a princípio não deu certo. As famílias tentavam apitar até no currículo. Estabelecidos os limites, hoje funciona bem. "É uma chance de opinar sobre o destino das mensalidades que pagamos e de conhecer bem os professores", diz o cientista social Hernani Lotufo, 55 anos, que tem cadeira no conselho e é pai de Maria Clara, 6, e João Miguel, 11. Não é preciso, no entanto, despender tanto tempo para influenciar positivamente na rotina escolar. Às vezes, não é necessário sequer ir à escola. É o que propiciam colégios como o Bandeirantes, em São Paulo, que já colocam na internet fichas dos alunos, com notas e faltas, além do programa das aulas. O contato pessoal com os professores fica a critério dos pais. Diz a psicóloga Monica Dib, mãe de André, 16 anos: "Eu, que tenho pouco tempo para estar inteirada, hoje consigo manter ótimas conversas com meu filho sobre a escola".


Apesar de ainda raras, as boas iniciativas das escolas brasileiras para atrair os pais começam a revelar seus efeitos. Eles já aparecem, por exemplo, num conjunto de escolas públicas onde a Unesco, em parceria com o Ministério da Educação, encontrou programas eficazes. Alguns de seus princípios podem ser facilmente transplantados para a realidade dos colégios particulares. Por exemplo, a ideia de prestar aos pais um atendimento mais individualizado, bem diferente do das enfadonhas reuniões bimestrais. Um programa implantado em 47 escolas de Taboão da Serra, município localizado na região metropolitana de São Paulo, chega a enviar os professores à casa dos estudantes, para orientar os pais sobre como ajudar nos estudos e saber mais do que se passa com cada aluno. "Com isso, posso traçar um plano de aulas mais ajustado às necessidades reais dos alunos", diz a professora Guiomar Souza, munida dos resultados dessas medidas. Em dois anos, as notas dos estudantes em exames oficiais subiram 10%. Reuniões individuais com cada família, mesmo que sejam na escola, já têm bom efeito. Em 137 colégios municipais de Teresina, professores e assistentes sociais são treinados para conseguir orientar melhor os pais nesses encontros. A diferença se revela na casa de gente como Maria da Silva Costa, 57 anos, responsável pela criação do neto, César. "Não sei ler, então a escola sugeriu que eu pedisse a meu neto que lesse contas e cartas para mim. Ele adorou."

 

As pesquisas não deixam dúvidas quanto à eficácia de uma boa relação entre a escola e a família, ainda que ela não precise ser assídua nem tão intensa. A experiência de pais como a psicóloga Virgínia Carnevale e o engenheiro Paulo Nessimian aponta para ganhos bem concretos. Com dois filhos formados e outros dois matriculados no Santo Inácio, colégio particular do Rio de Janeiro, o casal sempre manteve um ótimo diálogo com a escola. "Quando aparece uma nota baixa no boletim, sento com o coordenador e traçamos juntos um plano para resolver o problema", exemplifica Virgínia. O colégio dispõe de profissionais de plantão para atender pais como ela, desenvolve atividades esportivas que incluem as famílias e ainda abre as portas para que organizem festas ali – todas medidas para chamar atenção para a escola. Isso certamente ajuda a explicar por que o Santo Inácio aparece entre as dez melhores do país, no ranking do Enem. Conclui a especialista Maria Helena Guimarães: "O esforço conjunto da escola com a família se traduz num potente motor para o aprendizado".


Compensa. Um estudo da Fundação Getulio Vargas mostra que os efeitos da presença dos pais na vida escolar, ainda que mínima, se fazem notar por toda a vida adulta. Na infância e na adolescência, a participação da família não está associada apenas às notas mais altas, mas também a uma considerável redução nos índices de evasão. Para se ter uma ideia, o risco de que crianças egressas de um ambiente favorável aos estudos abandonem a escola cai, em média, 64%. É uma diferença gritante – e decisiva para o sucesso bem mais tarde, no mercado de trabalho. Basta dizer que cada ano a mais na escola faz subir o salário, em média, 15%. O impacto aumenta na medida em que se progride nos estudos. Um ano de pós-graduação, por exemplo, significa um ganho de quase 20% no salário. "Quanto mais educação, maior será o retorno", resume o economista Marcelo Neri, autor da pesquisa. É razão suficiente para que os pais brasileiros comecem a prestar mais atenção à rotina escolar.

 

Com reportagem de Marcelo Bortoloti e Renata Betti


O dever da família

As dez principais descobertas dos especialistas sobre quando e como
os pais podem ajudar a despertar nos filhos a curiosidade intelectual
e fazê-los alcançar um desempenho melhor nos estudos

1. Ter livros em casa
E, no caso de filhos pequenos, ler para eles. O hábito, cultivado desde cedo, faz aumentar o vocabulário de forma espantosa. Segundo estudo do americano James Heckman, prêmio Nobel de economia, uma criança de 8 anos que recebeu esse tipo de estímulo a partir dos 3 domina cerca de 12 000 palavras – o triplo de um aluno sem o mesmo empurrão. A diferença se faz sentir na assimilação de conhecimento em todas as áreas. Ao analisar o fato de a Finlândia aparecer sempre na primeira posição nos rankings de educação, um estudo da OCDE confirma: o incentivo precoce à leitura em casa tem um papel decisivo.


2. Reservar um lugar tranquilo para os estudos
A ideia é cuidar para que o ambiente ofereça o mínimo necessário: mesa, cadeira, boa iluminação e distância da televisão. Já na pré-escola, os pais podem definir o local e incentivar seu uso diário. Os benefícios, já quantificados, são os esperados: concentrado, o aluno aprende mais e erra menos.


3. Zelar pelo cumprimento da lição
Ainda que a criança seja pequena e a tarefa, bem fácil, é importante mostrar a relevância dela com gestos simples, como pedir para olhar o dever pronto ao chegar em casa. Até cerca de 10 anos, monitorar diariamente a execução da lição não é excessivo. Ao contrário. Esse é o momento de começar a sedimentar uma rotina de estudos, com horário e local, mesmo que seja mais uma brincadeira. Um relatório da OCDE não deixa dúvidas quanto às vantagens. Os melhores alunos no mundo todo levam a sério o dever de casa.


4. Orientar, mas jamais dar a resposta certa
Solucionar o problema é uma tentação frequente dos pais quando são acionados a ajudar na tarefa de casa. Não funciona. O que dá certo, isso sim, é recomendar uma leitura mais atenta do enunciado, tentar provocar uma nova reflexão sobre o assunto e, no caso de filhos mais velhos, sugerir uma boa fonte de pesquisas. Se o erro persistir, deixe-o lá. Já se sabe que a correção do professor é decisiva para a fixação da resposta certa.

5. Preservar o tempo livre
Muitos pais, ávidos por proporcionar o maior número de oportunidades aos filhos, lotam sua agenda de atividades fora da escola. O resultado é que sobra pouco tempo para brincar, esse também um momento sabidamente precioso para o aprendizado. Na escola, por sua vez, crianças com rotinas atribuladas demais costumam demonstrar cansaço, o que frequentemente compromete o próprio rendimento.

6. Comparecer à reunião de pais
Mesmo que seja muitas vezes enfadonha, ela proporciona no mínimo uma chance de sentir o ambiente na escola, saber da experiência dos demais alunos e tomar contato com a visão de outros pais. A ida a esses encontros tem ainda um efeito colateral menos visível, mas já bastante estudado: a presença dos pais é uma demonstração de interesse que contribui para o envolvimento dos filhos com a escola.


7. Conversar sobre a escola
A manifestação de interesse, por si só, é um indicativo do valor dado à educação pela família. Os efeitos são ainda maiores quando o estudo é tratado como algo agradável e aplicável à vida prática, e não um fardo. Uma recente compilação de estudos, consolidada por um centro de pesquisas do governo americano, mostra que um pai que consegue produzir esse tipo de ambiente em casa aumenta em até 40% as chances de o filho se tornar um bom aluno.


8. Monitorar o boletim
No caso de um resultado ruim, o melhor a fazer é definir um plano para melhorar o desempenho – mas não sem antes consultar a escola e avisar o filho de que está fazendo isso. O objetivo aí é estabelecer, junto com o colégio, uma estratégia para reverter a situação e saber qual será, exatamente, sua participação. Está mais do que provado que castigo, nesse caso, não funciona. Só diminui o grau de autoconfiança, já baixa, e agrava o desinteresse pelos estudos.


9. Procurar o colégio no começo do ano

É a ocasião em que cabe perguntar, pelo menos em linhas gerais, o que a escola pretende ensinar em cada matéria. Trata-se do mínimo para poder acompanhar tais metas e, se preciso, cobrar sua execução.

10. Não fazer pressão na hora do vestibular
O excesso de pressão por parte da família só atrapalha no momento mais tenso na vida de um estudante. À mesa do jantar, os pais darão uma boa contribuição ao evitar falar apenas disso. Mas podem ajudar mais, principalmente zelando para que o ambiente de casa na hora do estudo não fique barulhento demais e para que o filho não se comprometa com muitas atividades. O lazer, no entanto, não deve ser suprimido. É o que dizem os especialistas e os próprios campeões no vestibular: em 2008, os mais bem colocados em dez áreas mantiveram uma pesada rotina de estudos, mas, pelo menos no fim de semana, preservaram algum tempo livre.

22/12/2008  O erro de educar ensinando amor incondicional - Por Flávio Gikovate
- Aceitar atitudes inadequadas das crianças é não querer que elas cresçam fortes e independentes. É também não prepará-las para a realidade da vida adulta.

É fácil compreender as razões pelas quais quase todos nós nos perdemos como educadores. As descobertas da psicanálise acerca da importância dos primeiros anos de vida nos deixaram com muito medo de provocar traumas irreparáveis em nossos filhos. Preferimos, então, errar por falta de rigor do que por excesso de rigor. Para não “traumatizarmos” as crianças, passamos a temer até mesmo decepcioná-las e frustrá-las; coisa que elas percebem como fraqueza e tratam de abusar de nossa insegurança.

Agora, o que não pode continuar a acontecer é a passividade diante do fato de que temos que educar os nossos filhos. Não podemos nos acovardar diante dessa responsabilidade apenas porque nos tornamos mais conscientes dos riscos que corremos. Seria a mesma coisa que os médicos se recusarem a fazer cirurgias apenas porque existe o risco de insucesso e mesmo de morte do paciente. E algumas coisas que me parecem indiscutíveis: temos que transferir a cada nova geração os princípios morais mínimos que regem a nossa vida em comum; temos que lhes ensinar a ter os hábitos de higiene que aprendemos e que são tão importantes para a boa saúde; temos que lhes transmitir o conhecimento essencial acerca da língua, da matemática, das ciências, enfim, de tudo o que a nossa espécie com tanto sacrifício conseguiu colecionar como saber, ao longo de milênios de civilização.

Podemos discutir qual é o melhor caminho para que a educação seja a mais eficiente e menos frustrante possível. Podemos discutir que tipo de método a escola deveria usar para transferir o conhecimento às crianças; mas não podemos transigir diante da necessidade de que isso aconteça. Não é razoável que os jovens cheguem à universidade sem saber sequer escrever a sua língua. Isso não vai levar a nada, tanto na vida pessoal deles como do ponto de vista da coletividade. Podemos discutir se castigar condutas inadequadas é ou não mais eficiente do que recompensar aquelas que são consideradas como adequadas. Mas não podemos deixar que nossas crianças cresçam negligentes quanto ao fato de que existem outras criaturas sobre a Terra e que estas outras têm iguais direitos que devem ser respeitados. Não podemos ficar indiferentes ao desrespeito das crianças em relação às outras pessoas em lugares públicos, tais como restaurantes, aviões, praias etc. Não podemos tolerar crianças que não escovem os dentes, não tomem banho, não cuidem de seus pertences pessoais, nem ajudem os adultos em todo o tipo de tarefa quando isso se faz necessário; que não tenham rendimento escolar digno de sua inteligência.

Aceitar passivamente atitudes inadequadas das crianças é não querer que elas cresçam fortes e independentes. É não prepará-las para a realidade da vida adulta. É, pois, uma extrema maldade para com elas, que ficarão condenadas à eterna dependência em relação aos pais. E não são poucos os pais que superprotegem, absolutamente conscientes de que isso irá fazer com que seus filhos não evoluam. Querem é isso mesmo, pois não os criam para o mundo e sim para si mesmos. Agem com um egoísmo sem precedentes, disfarçado em tolerância e generosidade. Transmitem aos seus filhos a idéia de que o amor dos pais por eles é incondicional; ou seja, que os filhos não têm que ter comportamentos dentro do que se considera adequado para que sejam amados. São amados pelo simples fato de que são filhos; e pronto.

É claro que uma atitude desse tipo tira dos pais todo o poder de educar, uma vez que o que as crianças mais temem é justamente a perda do afeto dessas figuras que tanto lhes são essenciais. Se vão ser amados de todo o jeito, porque não fugir da escola, roubar dinheiro do vizinho e mais tarde usar drogas que prometem felicidade fácil?
A meu ver, a maior maldade que está presente nesta noção de que os pais têm que amar os filhos incondicionalmente é que ela não terá continuidade. Na vida adulta, os namorados, amigos, conhecidos e colegas nos amam apenas quando não ofendemos suas convicções e não desrespeitamos seus direitos. Quando os jovens educados dentro dessa idéia do amor incondicional perceberem que suas atitudes inadequadas afastarão as pessoas de perto deles, aí sim serão fortes para desenvolver raiva e revolta contra seus pais, que os iludiram, que mentiram para eles ao prometer um mundo que não existe. É possível que alguns pais – especialmente mães – amem seus filhos incondicionalmente enquanto sejam bem pequenos. Mas com o passar dos anos o amor deixa de ser uma coisa só física e passa a depender da admiração. Quem não se empenhar para despertar a admiração, não será amado nem pelos pais nem pelas outras pessoas.



Flávio Gikovate é médico psicoterapeuta, pioneiro da terapia sexual no Brasil.
Conheça o Instituto de Psicoterapia de São Paulo.
Confira o programa "No Divã do Gikovate" que vai ao ar todos os domingos das 21h às 22h na Rádio CBN (Brasil), respondendo questões formuladas pelo telefone e por e-mail gikovate@cbn.com.br
Email: instituto@flaviogikovate.com.br
16/12/2008  A adolescência e as drogas - Por Flávio Gikovate
- Os traficantes entram em nossas casas porque encontram portas abertas. E seduzem nossos filhos porque eles têm crescido fracos e sem qualquer esperança.

Temos muitas dúvidas a respeito de quase todas as coisas que nos são importantes. Mas também temos algumas certezas. Elas derivam da observação dos fatos, especialmente daqueles que são indiscutíveis, que não deixam margem para interpretações variadas. Uma dessas certezas tem a ver com o uso de drogas: praticamente todas as pessoas viciadas começaram a usar algum tipo de droga nos primeiros anos da adolescência, entre os 13 e os 17 anos de idade. Isto é válido para o uso de drogas pesadas, mas igualmente acontece com a iniciação ao uso do cigarro normal que, mesmo provocando poucos efeitos psicológicos, determina forte inclinação para a dependência.

Outra certeza que temos é a necessidade urgente de compreendermos melhor o que se passa na cabeça dos nossos jovens, para que possamos impedir que persista a tendência atual, que é a do uso de drogas por um número cada vez maior de pessoas, e que ela venha a envolver praticamente toda a juventude do nosso país. Teremos que providenciar novas atitudes dos pais e da sociedade, especialmente se isto puder ajudar nossas crianças a crescerem com mais força e determinação pessoal.

Sim, porque é fácil colocar toda a culpa do problema das drogas nos traficantes e outros delinqüentes que fazem fortuna com este comércio. A verdade é que eles entram nas nossas casas porque encontram as portas abertas. E eles seduzem nossos filhos porque eles têm crescido fracos e sem esperanças. E isto é nossa responsabilidade. Isso é fruto da excessiva permissividade na educação que nós, indo para o pólo oposto do pêndulo em relação ao modo como fomos criados, lhes transmitimos. É hora de urgentes revisões na educação.

Além do mais, existem importantes características da adolescência que fazem com que o jovem seja presa fácil de traficantes espertos. Uma delas é a peculiar prepotência dos rapazes e moças, a tendência para acharem que sabem de tudo e que podem tudo. Gostam da idéia de que ser adulto é ter coragem para experimentar de tudo, de modo a formar juízo próprio sobre todas as coisas. O conceito geral até que é interessante, mas não vale para todas as coisas. Não tem o menor sentido testas pessoalmente o uso de drogas mais que conhecidas, tanto em seus efeitos agradáveis como em seus malefícios e seu poder para viciar. Mas a prepotência dos adolescentes não conhece o bom senso. Querem apenas afirmar sua independência em relação aos adultos dos quais efetivamente dependem.

Só faz uma verdadeira guerra de independência quem é dependente. A adolescência sempre foi um período muito difícil para os jovens, pois eles têm que assumir, mais ou menos rapidamente, crescentes responsabilidades e se encaminhar na direção da autonomia. Isto é difícil e doloroso, pois uma parte de nós preferiria não ter que crescer e passaria o resto da vida usufruindo aconchego e proteção familiar. Esta parte tem sido muito estimulada pela educação superprotetora, de modo que os esforços das crianças para desenvolverem o outro lado, o da busca da individualidade, são mínimos. A adolescência exige uma aceleração do passo nesta direção, isto por pressões externas que são opostas às tendências que existiam até então.

O que acaba acontecendo é que os jovens se afastam da família e não suportam a sensação de abandono. Não podem voltar atrás e só lhes resta uma solução: substituir o aconchego familiar pelo do grupo de amigos da mesma idade. Desta nova “família” tiram a força necessária para romper com aquela de onde vieram. Tornam-se independentes de uma forma curiosa: têm que agir de algum modo em oposição aos valores do seu grupo de origem. O grupo de jovens se une e se torna solidário porque tem em comum comportamentos que desagradam aos mais velhos. Tornam-se independentes dos seus pais, provocando uma guerra aberta contra eles e contra seus valores. Estão prontos para agir de um jeito que os aborreça, pois isto será sinal de independência – é como se a independência fosse a dependência de cabeça para baixo! Estão prontos para se unir em grupos que irão adorar usar roupas extravagantes e reprovadas pelas famílias, para fumar cigarros e para experimentar outras drogas que lhes forem oferecidas. Um certo número de jovens irá adorar os efeitos que elas provocam. E aí...



Flávio Gikovate é médico psicoterapeuta, pioneiro da terapia sexual no Brasil.
Conheça o Instituto de Psicoterapia de São Paulo.
Confira o programa "No Divã do Gikovate" que vai ao ar todos os domingos das 21h às 22h na Rádio CBN (Brasil), respondendo questões formuladas pelo telefone e por e-mail gikovate@cbn.com.br
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19/11/2008  novos horários - Por joyce
acho que se vocês colocassem os novos horários diminuiriam os incidentes de esquecimento de material!!!
15/05/2008  Trecho de carta dos indígenas aos governantes dos EUA - Por Carlos Rodrigues Brandão

Citado por Carlos Rodrigues Brandão

Texto selecionado por: Silvia Regina Simioni Mumic


Certa vez, os governos dos Estados da Virgínia e de Maryland, nos Estados Unidos, sugeriram aos índios que enviassem alguns de seus jovens para estudar nas escolas dos brancos. Na carta-resposta, os indígenas agradeciam, recusando. Eis um trecho da carta dos indígenas.

(...) Nós estamos convencidos, portanto, de que os senhores desejam o nosso bem e agradecemos de todo coração. Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa idéia de educação não é a mesma que a nossa.

(...) Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltavam para nós, eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportar o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o inimigo ou construir uma cabana, e falavam nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, totalmente inúteis. Não serviam como guerreiros, como caçadores ou como conselheiros.

Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora não posamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão concordamos que os nobres senhores de Virgínia nos enviem alguns de seus jovens, que lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos deles, homens.
(Citado por Carlos Rodrigues Brandão, O que é educação, p. 8-9)

A leitura da carta acima é uma lição para aqueles que acreditam ser superiores a outros por possuírem bens materiais, cultura formal. 
Ser educador em uma sociedade que julga, discrimina, exclui aqueles que não estão inseridos dentro do sistema é uma grande responsabilidade. Parte de toda mudança social inicia a partir de indagações de intelectuais, filósofos, pensadores, enfim, daqueles que acreditam que mudanças devem existir para que a sociedade evolua intelectualmente, espiritualmente, economicamente e socialmente. É parte de nosso trabalho de educadores acabar, ou pelo menos minimizar um dos grandes problemas vividos por nossa sociedade, o preconceito em relação à DIVERSIDADE CULTURAL.

06/12/2006  Fazer o que gosta - Por Stephen Kanitz

A escolha de uma profissão é o primeiro calvário de todo adolescente. Muitos tios, pais e orientadores vocacionais acabam recomendando "fazer o que se gosta", um conselho confuso e equivocado.

Nenhuma empresa paga profissional para fazer o que os funcionários gostam, que normalmente é jogar futebol, ler um livro ou tomar chope na praia. Justamente, paga-se um salário para compensar o fato de que o trabalho é essencialmente chato.

Mesmo que você ache que gosta de algo no início de uma carreira, continuar a gostar da mesma coisa 25 anos depois não é tão fácil assim. Os gostos mudam, e aí você muda de profissão em profissão? 

As coisas que eu realmente gosto de fazer, eu faço de graça, como organizar o Prêmio Bem Eficiente; ou faço quase de graça, como escrever artigos para a imprensa.

Eu duvido que os jogadores profissionais de futebol adorem acordar às 6 horas todo dia para treinar, faça sol, faça chuva. No fim de semana eles jogam bilhar, não o futebol que tanto dizem adorar.

O "ócio criativo", o sonho brasileiro de receber um salário para "fazer o que se gosta", somente é alcançado por alguns professores de filosofia que podem ler o que gostam em tempo integral. Nós, a grande maioria dos
mortais, teremos que trabalhar em algo que não necessariamente gostamos, mas que precisará ser feito. Algo que a sociedade demanda.

Toda semana recebo jovens que querem trabalhar na minha consultoria num projeto social. "Quero ajudar os outros, não quero participar deste capitalismo selvagem".

Nestes casos, peço para deixarem comigo seus sapatos e suas meias, e voltarem a conversar comigo em uma semana. Normalmente nunca voltam, não demora mais do que 30 minutos para a ficha cair. 

É uma arrogância intelectual que se ensina nas universidades brasileiras e um insulto aos sapateiros e aos trabalhadores dizer que eles não ajudam os outros. O que seria de nós se ninguém produzisse sapatos e meias, só 
porque alguns membros da sociedade só querem "fazer o que gostam?"

Quem irá retirar o lixo, que pediatra e obstetra atenderá você às 2 da madrugada? Vocês acham que médicos e enfermeiras atendem aos sábados e domingos porque gostam?

Felizmente para nós, os médicos, empresas, hospitais e entidades beneficentes que realmente ajudam os outros, estão aí para fazer o que precisa ser feito, aos sábados, domingos e feriados. Eu respeito muito  mais os altruístas que fazem aquilo que precisa ser feito, do que os egoístas que só querem "fazer o que gostam".

Teremos então que trabalhar em algo que odiamos, condenados a uma vida profissional chata e opressora? 

A saída é aprender a gostar do que você faz, em vez de gastar anos a fio mudando de profissão até achar o que você gosta. E isto é mais fácil do que você pensa. Basta fazer o seu trabalho com esmero, um trabalho super 
bem feito. Curta o prazer da excelência, o prazer estético da qualidade e da perfeição.

Se quiser procurar algo, descubra suas habilidades naturais, que permitirão fazer seu trabalho com distinção e que o colocarão à frente dos demais.

Sempre fui um perfeccionista. Fiz muitas coisas chatas na vida, mas sempre fiz questão de fazê-las bem feitas. Sou até criticado por isto, demoro demais, vivo brigando com quem é medíocre, reescrevo estes artigos umas 40 
vezes para o desespero dos editores, sou super exigente, comigo e com os outros.

Hoje, percebo que foi este perfeccionismo que me permitiu sobreviver à chatice da vida, que me fez gostar das coisas chatas que tenho de fazer. 

Se você não gosta do seu trabalho, tente fazê-lo bem feito. Seja o melhor na sua área, destaque-se pela sua precisão. Você será aplaudido, valorizado, procurado e outras portas se abrirão. Você vai começar a gostar do que faz, vai começar até a ser criativo, inventando coisa nova, e isto é um raro prazer.

Faça o seu trabalho mal feito e você estará odiando o que faz, a sua empresa, o seu patrão, os seus colegas, o seu país e a si mesmo. Esta é na minha opinião, o problema número 1 do Brasil. Fazemos tudo mal feito, fazemos o mínimo necessário, simplesmente porque não aprendemos a gostar do que temos de fazer e não realizamos tudo bem feito, com qualidade e precisão.

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Stephen Kanitz,
Formado em Administração de Empresas por Haward e articulista da VEJA. 

Fonte> Editora Abril, Revista Veja, edição 1881, ano 37, nº 47, 24 de novembro de 2004, página 22

05/12/2005  Limites e educação - Por Silvana Martani
Texto selecionado por: Magali Kock - Coordenadora Ed. Infantil.

Os pais sempre tiveram dificuldade para impor limites aos filhos, principalmente quando eles crescem e começam a argumentar e tentar impor suas vontades. A educação é um processo que se inicia no berço e, de fato, nunca termina, pois mesmo quando adultos, estamos sempre aprendendo ou aprimorando nossa educação.

Quando as crianças ainda são pequenas, os pais têm mais facilidade de dizer não, pois com isso estão educando e salvaguardando os pequenos de suas descobertas muitas vezes perigosas. Com o passar do tempo, as crianças começam a contestar os “nãos” e os problemas se intensificam. A partir dos cinco anos, muitos pais já sentem grande dificuldade em conter os desejos e vontades de seus filhos e dizer não é muito complicado.

Nessa fase todas as crianças gostam de impor suas vontades em diferentes circunstâncias e já entenderam há muito tempo como manipular seus pais para que eles façam o que elas querem. Neste ponto, quando são contrariadas reagem sempre mal e, dependendo da forma como seus pais lidam com as suas reações, elas vão se intensificar ou não. Quanto mais inseguros os pais são, mais dificuldade em impor limites eles têm. E isso a criança é capaz de perceber.

Nos últimos tempos, a carga de trabalho das pessoas vêm aumentando consideravelmente e muitos pais acham que não passam tempo suficiente com seus filhos. Uma vez que necessitam desenvolver suas carreiras, tanto pelo aspecto financeiro, como pela realização profissional. Com isso, a maioria dos pais passa a se sentir um devedor de afeto, atenção e carinho e a segurança para dar limites se vê ameaçada.

Uma criança que se acostuma com o “sim” quando é pequena, dificilmente vai aceitar um “não” quando estiver na puberdade ou adolescência. Todos nós concordamos que é muito difícil contrariar as vontades de alguém que amamos sem restrições e agüentar sua birra, seu choro, sua raiva e desamor. É muito complicado, mas absolutamente necessário. As crianças precisam sentir que respeitam alguém e que podem principalmente confiar em alguém. O mesmo pai que diz “não” é aquele que promete que vai ao jogo e vai, que fala que vai dar o brinquedo e dá.

O “não” é uma via de mão dupla para a segurança e confiança. Pais que acabam deixando seus filhos dominarem a cena, aceitando seus desejos sem muita restrição, crêem que com isso seus filhos vão se sentir felizes e bem amparados. Mas o que acaba acontecendo é que seus filhos se sentem desprestigiados e desamparados passando a exigir cada vez mais deles.

Quando uma criança testa um limite esse teste precisa ser eficaz e os pais precisam confiar nisso. Não é “não”, o talvez ou só um pouquinho, se for talvez que assim seja e se for só um pouquinho que seja desde o começo.

Quando o “não” se altera para o lado do talvez ou só um pouco, a criança sente isso mais como uma fraqueza de postura que uma possibilidade e merecedora de argumentação. Fraqueza detectada é hora do show de persuasão. E nisso eles são muito bons.

Na puberdade, as coisas não são diferentes e o que percebemos é uma intensificação dos argumentos somados a uma demarcação de territórios conquistados pelo jovem. As coisas se complicam quando os jovens começam a confundir certa independência e liberdade para decidir o que é melhor e passam a invalidar regras e conceitos.

Poder fazer a maioria das coisas sozinho, sem depender muito dos pais cria uma sensação única que muitos confundem com competência para decidir e realizar. Muitos jovens começam a ter mais liberdade neste momento, para que possam exercitar seu discernimento e poder de decisão, mas ainda não estão maduros o suficiente para ponderarem sobre todas as conseqüências de suas ações.

Neste momento, o “não” tem um papel primordial na educação e os limites e seus cumprimentos são a porta de entrada para uma adolescência mais tranqüila.

É sabido que os pais, capazes de falar e sustentar bem um “não”, são aqueles que gastam um tempo com seus filhos, ouvem suas histórias, compartilham suas tristezas com respeito, não menosprezam seus conflitos e negociam suas necessidades. Gastar tempo é conversar, dar bronca, rir, passear, cobrar atitudes e mostrar tarefas e posturas.

Sim, é preciso endossar posturas e atitudes, conceitos e regras. Pais que dizem uma coisa e fazem outra, além de não serem muito confiáveis para os filhos, confundem e comprometem a educação como um todo.

Pais cumpridores ensinam seus filhos regras claras que formalizam um padrão de conduta que vai acompanhá-los a vida toda, mas é claro que seguir regras é chato e fazer com que as regras sejam cumpridas é mais chato ainda. Muitos pais começam a ver seus padrões questionados ou mesmo negados quando seus filhos entram na puberdade. Aquela história “o pai do meu amigo deixa”, ou, o “meu amigo faz”, “pode ou tem”, habita todas as casas em todos os continentes. Ter hora para chegar, fazer tarefas, estudar, dar satisfação de onde vai, com quem está, os números dos telefones dos amigos, endereço da balada, qual é a balada, quem leva, quem traz, tempo que fica no computador, horário de dormir, conhecer os amigos dos filhos, os pais dos amigos, são alguns dos aspectos que os pais precisam cuidar.

Na adolescência, os jovens acham que um bom exercício de maturidade é não dar satisfação sobre seus atos e alguns pais não conseguem se posicionar com relação a isso. Quando vivemos em uma família e temos laços afetivos fortes, dar satisfação é muito mais uma questão de educação que de disciplina. Por exemplo, um pai ou marido que não diz aonde vai e o que está fazendo gera insegurança, desconforto e desamor com esta atitude, em todos os membros de sua família. A mesma sensação experimentam os pais de filhos que se recusam a dizer aonde vão e com quem estão.

Adolescentes precisam ser monitorados exatamente porque são adolescentes e não adultos. Aqueles que os pais já cederam a sua intensa “liberdade” experimentam sentimentos ambíguos, ora acham que os pais não se preocupam com eles, ora se sentem muito emancipados com o fato de cuidarem sozinhos de suas vidas.

Seja como for, a orientação é para que os pais cuidem de seus filhos. Liberdade vigiada, com limites e responsabilidades é ótimo para qualquer jovem crescer, mesmo porque confiança é uma coisa que se adquire com atitudes e essa conquista os filhos precisam fazer para respeitar as regras que norteiam a vida dos adultos.

A casa, a família devem representar conforto emocional e sossego. E não uma ilha da fantasia pouco representativa do mundo lá fora, sem muitas regras e limites que vão, num futuro próximo, fazer sofrer muito mais do que ajudar a formar pessoas felizes. 

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Silvana Martani
Psicóloga da Clínica de Endocrinologia da Beneficência Portuguesa de São Paulo

Fonte> http://www.revistacriar.com.br/

03/12/2005  S.O.S. Família - Por Rosely Sayão
A difícil relação entre pais e escola

"A escola, pouco a pouco, assumiu um perfil quase familiar, e os pais, pouco a pouco, se colocaram no papel de auxiliares do ensino escolar ."

Nos últimos 40 anos, pais e escolas têm procurado uma aproximação cada vez maior. O objetivo? Uma vida escolar mais produtiva. Ocorre que, nesse tempo, o mundo mudou muito (o estilo de vida, a família, a concepção da educação escolar) e as primeiras intenções desse convívio mais próximo entre pais e professores foi por água abaixo. A chamada parceria entre pais e escola transformou-se hostil e até agressivo. É claro que é preciso considerar que isso diz respeito à maneira geral como essa relação ocorre.

O fato é que essa relação tão próxima confundiu pais e educadores. A escola, pouco a pouco, assumiu um perfil quase familiar, e os pais, pouco a pouco, se colocaram no papel de auxiliares de ensino escolar.

Paralelamente a esse processo, ocorreu um fenômeno social importante: a educação escolar passou para a lista de bens de consumo e, nesse caminho, os pais dos alunos passaram a ser tratados e a se reconhecerem como consumidores ou clientes. E aí a coisa ficou feia. Quem compra um produto quer ficar satisfeito e quer ter razão.

No cotidiano escolar, isso toma a forma de constantes pedidos e exigências dos pais, tais como mudanças de turma, atrasos justificados, lições mais ou menos extensas, atenções especiais, discordâncias relativas a metodologias, etc.Chegamos ao cúmulo de pais exigirem a demissão de profissionais que eles julgam incompetentes para o cargo que ocupam. 

A escola não deixa por menos. Chama os pais para reclamar do comportamento de seus alunos, solicita o encaminhamento a tratamentos, aponta dificuldades familiares que prejudicam o aprendizado, queixa-se da falta de valores da família, etc. Chegamos a ponto de professores julgarem os pais incompetentes para exercer sua função.

Como passa, já há algum tempo, por uma crise séria, a escola de capital privado foi cedendo a muitos pedidos dos pais na tentativa de manter seus alunos. E os pais, acolhidos inicialmente em suas demandas, muitas vezes totalmente despropositadas, dado o contexto escolar, foram elevando suas exigências e solicitações. E chegamos aonde estamos.

E agora? Agora, escola e pais precisam se dar uma trégua, já que temos constatado que esse tipo de relação não tem funcionado. Sabem por quê? Em primeiro lugar, quando o filho percebe que os pais não confiam na escola em que ele estuda, não se deixa educar pelos profissionais que lá trabalham. Quando ele se dá conta de que tem os pais por trás para protegê-lo de aprender a viver como aluno, ele permanece no lugar de filho mesmo quando está lá na escola. Não aprende a se cuidar, a enfrentar situações difíceis nem a criar um jeito próprio de se relacionar respeitosamente com colegas e com adultos de fora da família.

Vida escolar significa também aprender a viver coletivamente, a enfrentar injustiças e a, corajosamente, denunciá-las, a conviver com situações nem sempre agradáveis, a se frustrar por não conseguir o que queria, a sofrer por ser apenas mais um entre tantos.

Para isso os pais precisam se afastar um pouco dos filhos quando a questão é a escola. As escolas falham? Sim, mas os pais podem apontar esses equívocos de outro modo. O mais importante é lembrar que a escola perfeita não existe. Afinal, ela é uma representação do mundo, não é? 

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Rosely Sayão
Psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?"

02/12/2005  E o ano vai chegando ao final..... - Por Gustavo Castro

Mais um ano letivo está chegando ao final. Os alunos que já passaram de ano podem ficar mais tranqüilos, podem relaxar, estudar um pouco menos, brincar um pouco mais.Quem ainda precisa de muitas notas para passar direto, tem que estudar bastante para poder brincar depois. Várias vezes eu já passei por isso precisando de muita nota e/ou em exame. Temos de ter consciência que devemos estudar muito nos três primeiros bimestres, temos que literalmente "botar a cara nos livros". Reprovar de ano não é bom. O autor desta matéria já reprovou uma vez de ano.As vezes com determinados alunos, a reprovação é, em certo ponto, muito positiva, pois no próximo ano o aluno entra com mais vontade, vontade de mostrar que é bom aluno e mostrar na matéria que reprovou que apenas foi um deslize.O lado ruim de reprovar é de perder os amigos da turma, Começar a prestar vestibular mais tarde. No momento, a melhor coisa que existe é ser esforçado , pois você pode ficar tranqüilo desde o terceiro bimestre.Para os que precisam de muita nota para passar, vamos nos conscientizar e vamos dar o máximo de nós nesse final de ano, para continuarmos com nossos melhores amigos.Eu confio em todos para passar de ano.

Feliz final de ano para todos nós!

01/12/2005  Vestibular é único objetivo de pais e escolas - Por Rosely Sayão

Nos últimos meses, pudemos acompanhar quase diariamente, na maioria dos jornais, reportagens dos mais diversos tipos e com diferentes enfoques a respeito do vestibular. Já, nos últimos 15 dias, foram os trotes que chamaram a atenção tanto da imprensa quanto de quem transitou pelas ruas próximas das faculdades. Calouros com os corpos pintados, alcoolizados, obedecendo a ordens esdrúxulas dadas por veteranos dispostos a humilhar e a tomar algumas cervejas com o dinheiro coletado pela moçada foi o que mais pudemos encontrar. E os recém-ingressos nas faculdades nem sempre desgostavam da situação a que estavam sendo submetidos. Afinal, passaram no vestibular e a grande conquista estava sendo publicamente anunciada. Esse assunto rende uma boa conversa.

Muitas escolas de educação infantil já se defrontam com pais que querem saber se o projeto escolar considera o exame para o ingresso na faculdade

Desde muito cedo, o tema vestibular passa a fazer parte do cotidiano de crianças e jovens. Muitas escolas de educação infantil já se defrontam com pais que querem saber se o projeto escolar considera o exame para o ingresso na faculdade. é possível uma coisa dessas? A criança nem bem entende direito o que é escola e o que significa ser aluno, e os pais já pensam no vestibular. Durante todo o ensino fundamental, professores e pais continuam com a ladainha: usam e abusam da ameaça do vestibular para tentar fazer a garotada estudar. O grande diferencial das escolas, para muitos pais, é que ela prepare bem seus alunos para passar no tal exame.

E no ensino médio, então? Muitos alunos que freqüentaram durante oito anos a mesma escola são encorajados, quando não obrigados, pelos pais a mudar justamente nessa hora -e não por um motivo justo, mas porque uma outra tem mais tradição ou é mais eficaz em classificar alunos para cursar determinadas faculdades.

O fato é que passar no vestibular acaba se tornando o grande desafio dos jovens, a grande meta da vida, uma das coisas mais importantes a almejar. O grande problema é que tudo pára por aí mesmo. Passou no vestibular, pronto: a caminhada termina, pois o objetivo foi alcançado e nada mais faz sentido para muitos dos jovens então universitários, antes tão concentrados na meta a alcançar. Os pais entraram de cabeça nesse equívoco e boa parte das escolas foi junto. Basta ver as enormes propagandas que as escolas de ensino médio ostentam nas ruas das grandes cidades para constatar o que elas -e os pais também- valorizam: os primeiros lugares nos exames vestibulares, a quantidade de alunos que conseguiram acesso às faculdades. Se o aluno aprendeu a viver e a conviver no espaço público, se experimentou verdadeiramente as responsabilidades e os deveres decorrentes da vida em grupo, se vivenciou a solidariedade com os colegas, se teve a oportunidade de se tornar aluno e apreciar o conhecimento, isso não importa. Importante mesmo é entrar na faculdade.

Já sair dela é uma outra história. Os professores universitários conhecem de perto, bem de perto, o desinteresse e a passividade dos alunos do chamado ensino "superior". Fazer faculdade, hoje, significa a oportunidade de viver na farra para grande parte dos jovens. Abandonar o curso escolhido, perder o interesse pelos estudos, trocar várias vezes de curso e deixar disciplinas pendentes ano após ano são práticas cada vez mais comuns na vida universitária.

Muitos dos jovens, antes tão envolvidos com o estudo que possibilitaria a entrada na faculdade, passam a mostrar interesse em abandonar a escola para dedicar-se a algum tipo de atividade profissional que dispense a graduação. O que é que estamos fazendo com esses jovens?

Já está na hora de deixar de dar tamanha importância ao vestibular e de apontar a vida de filhos e alunos para essa direção. Os jovens merecem orientação melhor na vida, eles precisam dessa chance. E cabe a nós, adultos, essa tarefa. Pais e professores bem que poderiam se unir para dar um basta a tanta bobagem. Que tal os alunos aprenderem literatura para entender melhor a vida em vez de estudarem o resumo e a análise de grandes obras literárias para passar no vestibular?

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Rosely Sayão é psicóloga e 
autora de "Como Educar Meu Filho?" (ed. Publifolha).
E-mail: roselysayao@folhasp.com.br 
Fonte: Folha de S.Paulo